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Marcando o seu ingresso no segmento wireless, a Google anunciou uma parceria com a operadora de telefonia celular norte-americana Sprint Nextel para fornecer um serviço móvel de buscas, gratuito, com comunicação interativa e ferramentas de rede social, para os assinantes da rede WiMax que a operadora americana está construindo.
Os serviços WiMax da Nextel detectam a localização dos usuários, e seriam combinados com ferramentas da Google – incluindo e-mail, bate-papo e outras aplicações. A aliança representa um grande passo da Google em sua estratégia de crescimento para os próximos anos e uma forma de se recuperar em relação à rival Yahoo!, que já oferece um serviço móvel de buscas nos Estados Unidos. O sistema WiMax apresenta velocidade de conexão à internet cinco vezes mais rápida que as tradicionais redes de conexão sem fio, embora ainda mais lenta do que a banda larga com uso de cabos.
Paralelamente a essa parceria, a Comissão Federal de Comunicação (FCC), órgão que regula as telecomunicações nos Estados Unidos, está discutindo a criação de uma rede wireless de acesso livre no país. Será aberto um leilão, com lance mínimo estipulado em US$ 4,6 bilhões, para o licenciamento da faixa dos 700 MHz de freqüência para telecomunicações. A faixa ficará livre devido à migração da TV digital para cabo.
A Google já demonstrou interesse e garantiu o lance mínimo, mas junto à Sprint Nextel avisou à FCC que só participará se forem cumpridas quatro condições obrigatórias para quem vencer o leilão. A principal delas é a exigência aos vencedores que ofereçam aos concorrentes o acesso a parte do novo espectro, em uma base de cobrança por atacado – exigência que parece denunciar o receio da Google de não conseguir a concessão, pois beneficia os concorrentes.
Batalha na Web
Discussões sobre a disputa pela faixa a ser liberada pelo governo estão espalhadas por diversos sites. No Digg – cujo conteúdo é fornecido e votado pelos usuários – uma nota destaca que essa briga pode determinar como os americanos irão acessar a internet no futuro, e aponta para um link onde há uma entrevista com Chris Sacca, diretor de iniciativas especiais da Google.
Sacca afirma que o interesse da Google no espectro passa pela sua missão de levar a internet ao maior número de pessoas possível, ao menor preço possível. “Atualmente, num ambiente em que há muita competição pelo espaço wireless, nós percebemos o impacto disso. Os preços estão muito altos, a internet está disponível apenas a áreas geográficas restritas e muitas pessoas ainda estão fora da Web”, diz o especialista.
Riscos para a Google?
Apesar de a Google ter imposto condições, a FCC tem suas próprias regras para o leilão também. Segundo a coluna de tecnologia de Bob Cringely publicada em 27 último, dificilmente as condições impostas pela Google serão aceitas, pois as companhias irão apostar tudo o que puderem para vencer o leilão, que deve chegar a US$ 10 bilhões. O que está em jogo é uma faixa de freqüência poderosa, capaz de alcançar longas distâncias e atravessar paredes, e além disso essas empresas não querem mudanças nas regras operacionais que têm lhe garantido lucro há anos.
“Olhe contra quem a Google está, todos os maiores provedores de serviços de internet dos Estados Unidos”, diz a coluna, complementando que a Google não irá vencer essa briga mesmo que ganhe o leilão porque as telecoms e as empresas de cabo têm muito mais experiência quando se trata de fazer lobby. “As telecoms já estão nesse jogo há um século, enquanto a Google não tem nem uma década nisso”, opina Cringely, afirmando ainda que a Google não tem um potencial financeiro maior do que as outras concorrentes do leilão.