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Discriminação nos EUA

Governador de Indiana usa religião para acobertar discriminação

Na prática, nova lei estadual permite que negócios se recusem a servir gays e lésbicas sob a alegação de que eles 'sobrecarregam sua liberdade religiosa'

Governador de Indiana usa religião para acobertar discriminação
Protestos contra o projeto de lei de liberdade religiosa (Reprodução/Nate Chute/Reuters)

Na semana passada, o governador Mike Pence do estado de Indiana, nos EUA, aprovou uma lei de liberdade religiosa, impulsionado pela intolerância contra gays e lésbicas. A medida virou tema do editorial do New York Times nesta terça-feira, 31.

O político vêm reclamando que os opositores da lei, que incluem grandes líderes de negócios e grupos de direitos civis, estão espalhando desinformações. No último domingo, 29, Pence disse que concordava que seria útil “esclarecer” a intenção da lei. Segundo o jornal, no entanto, ela já está perfeitamente clara.

A lei não permite, explicitamente, como alguns oponentes afirmam, que os proprietários de negócios se recusem a servir gays e lésbicas. Em vez disso, a lei permite que pessoas físicas ou jurídicas possam dizer que os gays e lésbicas “sobrecarregam sua liberdade religiosa”. Seus defensores tem dito que o propósito da lei é proteger “negócios cristãos e igrejas daqueles que apoiam o casamento homossexual”. Na prática, isto deve permitir que eles recusem atendimento a casais gays sem sofrerem processos por discriminação.

A tática de usar a chamada lei de liberdade religiosa americana para justificar e legitimar discriminação contra gays nos EUA é relativamente nova. Na última década, estados poderiam discriminar abertamente casais homossexuais banindo o casamento gay, assim como vários fizeram. Nos últimos anos, no entanto, com os tribunais federais e estaduais derrubando esses banimentos como inconstitucionais (o de Indiana foi derrubado em 2014), opositores do casamento gay têm usado outras estratégias.

A liberdade de exercer uma religião não está em risco no estado de Indiana, ou em qualquer outro lugar do país. Mas a religião não deve servir para cobrir a discriminação na esfera pública. No passado, a discriminação racial também foi justificada por crenças religiosas, mas as empresas não podem recusar serviços a clientes por conta da raça deles. Tal comportamento também não deve ser tolerável com base na orientação sexual.

 

Fontes:
The New York Times-In Indiana, Using Religion as a Cover for Bigotry

2 Opiniões

  1. Renato Fregapani disse:

    Não entendo porque que sempre colocam a discussão sobre discriminação racial junto com a discussão sobre “orientação” sexual. Já escuto negros reclamando que não aceitam a comparação.

  2. Roberto1776 disse:

    O estado de Indiana está errado. Quanto mais resistência existir em relação ao homossexualismo pior ficará a situação. É necessário liberar geral. Só assim esses movimentos se acalmarão e o homossexualismo deixará de ser moda e meio de escandalizar os não tão “modernos” e passará a ser algo normal, sem necessitar de privilégios especiais que só servem para chamar a atenção e obter benefícios e privilégios que outros grupos não têm.

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