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Governantes no Oriente Médio controlam mesquitas com mais rigor

Países na região tomam medidas para controlar cada vez mais o comportamento de clérigos muçulmanos

Governantes no Oriente Médio controlam mesquitas com mais rigor
Esforço de países para controlar clérigos sem se acirrando (Reprodução/Internet)

Há muito tempo a Arábia Saudita usa um método simples para controlar as mesquitas. O petróleo do reino é pródigo em dinheiro e privilégios com os clérigos mulçumanos, mas essa generosidade pode desaparecer de repente se suas pregações não seguirem a doutrina do governo. Se esse método não funcionar podem ser destituídos do cargo ou presos.

Agora os clérigos sauditas enfrentam uma nova coerção: a partir do próximo ano as autoridades irão instalar câmeras de monitoramento em todas as mesquitas para vigiar o que acontece em seu interior. Em tese, essa medida tem o objetivo de prevenir os roubos e controlar o consumo de energia, mas poucos têm dúvidas a respeito da intenção real de intensificar o poder do país no Islã, uma tendência difundida no Oriente Médio.

Os críticos há muito tempo censuram a Arábia Saudita pelo apoio a uma doutrina rigorosa da religião. O governo da família Al Saud, cuja legitimidade baseia-se em parte em um pacto firmado há 270 anos com a seita ultraconservadora vaabita do islamismo sunita, ignora as críticas. Mas nos últimos meses a reação dos conservadores irritados com o apoio entusiástico do governo em aplicar uma sanção severa contra a Irmandade Mulçumana no Egito, assim como pela participação na coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico (ISIL) na Síria e no Iraque, tem preocupado a família real. Aparentemente, estimulados pela propaganda do ISIL, os radicais sauditas têm feito ataques violentos a ocidentais “infiéis” e aos xiitas “dissidentes”.

Na verdade, o esforço da Arábia Saudita para controlar os clérigos é moderado, hesitante e extemporâneo comparado ao comportamento de alguns países mulçumanos. O uso de câmeras é comum no Uzbequistão, Cazaquistão e Tajiquistão. Há muito tempo o Kuwait usa gravadores para monitorar os sermões de sexta-feira. Os clérigos nos Emirados Árabes Unidos não escrevem seus sermões. Com exceção de alguns clérigos mais idosos e confiáveis, eles leem um texto enviado todas as semanas pelo departamento de assuntos religiosos do governo, que também paga seus salários.

 

Fontes:
The Economist - Converting the preachers

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