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Governo americano abre o comércio de aviação com o Irã

O novo investimento internacional no setor de aviação iraniano após a assinatura do acordo nuclear é promissor

Governo americano abre o comércio de aviação com o Irã
Decisão do governo americano irá beneficiar fabricantes de aviões ocidentais, inclusive empresas americanas como a Boeing (Foto: Wikipedia)

O tão esperado acordo nuclear com o Irã deve ter deixado alguns banqueiros muito “satisfeitos” como o Financial Times publicou, mas, na verdade, existe um caminho longo e complexo a ser percorrido antes que a maioria das empresas ocidentais possa fazer negócios no Irã. Entre os exportadores dos Estados Unidos, só um setor já recebeu um convite. Ele merece. Durante anos, as companhias aéreas iranianas foram obrigadas a recorrer ao mercado negro quando precisavam comprar equipamentos ou consertar os aviões. A documentação complicada conspirou para excluir os EUA das transações ilícitas. A Mahan Air, a segunda maior companhia aérea do país, conseguiu fazer uma das maiores transações desse tipo em maio, dois meses antes da assinatura do acordo, quando usou um testa de ferro iraquiano para comprar nove jatos da Airbus.

Esses negócios obscuros permitiram que os iranianos coninuassem a voar, mas com um custo pesado. De acordo com a Aviation Safety Network, houve 28 acidentes com aviões civis no Irã desde o início do século, que causaram a morte de mais de 500 pessoas. A idade média de um avião da Iran Air, a companhia aérea estatal, é de 26 anos. Do outro lado do Golfo Pérsico, em Dubai, na Emirates Airlines, uma companhia muito maior, os aviões têm em média sete anos.

Em vez de bloquear o funcionamento das companhias aéreas do Irã, como os EUA planejaram fazer, alegando apropriação indébita pelos militares, as sanções os obrigaram a usar aviões mais antigos e menos seguros. Todas as vezes que os aviões caíam, os iranianos protegiam-se atrás do governo e culpavam o Grande Satã pela ameaça aos civis.

O equívoco político dos EUA foi revertido no ano passado, quando a suspensão temporária das sanções permitiu que a Iran Air comprasse peças de reposição para seus aviões decrépitos. Agora, o governo do presidente Obama resolveu fazer uma mudança total de estratégia. Os EUA “irão permitir a venda de aviões comerciais de passageiros, com as peças de reposição e serviços respectivos para o Irã”, declarou o Joint Comprehensive Plan of Action elaborado pelas equipes de negociação do acordo nuclear.

Além de melhorar a qualidade do transporte aéreo de passageiros iranianos, essa decisão do governo americano irá beneficiar em dezenas de bilhões de dólares os fabricantes de aviões ocidentais, inclusive empresas americanas como a Boeing. Bilhões vão cair nas mãos de fornecedores de peças de reposição, de arrendadores de aviões, financiadores, prestadores de serviços de TI, designers de interiores de aviões, e assim por diante.

Fontes:
The Economist - Plane speaking after Iran's nuclear deal

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