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Governo holandês preocupado com a imagem do país no exterior

Amsterdã, Holanda – A partida da ex-parlamentar Hirsi Ali, a polêmica da eutanásia de bebês, as novas leis de imigração implantadas pela ex-ministra Rita Verdonk, projetos para proibir o uso da burca, o 'não' à Constituição Européia e os assassinatos do político e ativista Pim Fortuyn e do diretor de cinema Theo Van Gogh são apenas algumas das notícias negativas que dominaram as manchetes da imprensa internacional sobre a Holanda nos últimos anos.

Conhecido durante muito tempo por sua política de tolerância, liberdadee multiculturalismo, o país das tulipas, tamancos e moinhos já não é mais o mesmo. "A Holanda, que era considerada um símbolo de progressividade e experimentação social, até mesmo dentro da União Européia, hoje já não é vista com os mesmos olhos" – afirmou o repórterda Associated Press Toby Sterling, no evento "Amsterdam: From our correspondent", que visou discutir a imagem do país no exterior.

Organizado pela casa de cultura De Balie e pela Associação Internacional de Imprensa, o "Amsterdam: From our correspondent", realizado recentemente, contou com a presença de jornalistas dediversos países, com o diretor do Departamento de Comunicação do Ministério das Relações Exteriores, Hans Peter van der Woude, e com o responsável pelo setor de Relações Públicas da cidade de Amsterdã, Charles van Renesse.

Durante o evento, van der Woude admitiu que o governo está bastante preocupado com a imagem negativa do país no exterior. "É claro queestamos preocupados. Apesar de isso ainda não ter acontecido, umaimagem ruim afasta investimentos e turistas, além de afetar a economia e as relações internacionais".

Como tudo começou

O especialista em diplomacia e relações exteriores do Instituto Clingendael de Haia, Jan Melissen explicou, em entrevista ao Amsterdam Weekly, que a imagem da Holanda começou a mudar quando o ativista político Pim Fortuyn criticou abertamente as minorias étnicas e fez campanha para acirrar as leis nacionais de imigração. "O discurso de Fortuyn, tão raro na sociedade politicamente correta holandesa, rapidamente ganhou as páginas dos jornais de todo mundo" – ressaltou Melissen. As controversas idéias do ativista político acabaram culminando em seu assassinato em 2002. Esta foi apenas a primeira das más notícias que assombrariam a Holanda nos anos seguintes.

A eleição de 2002 trouxe ao poder a polêmica parlamentar Hirsi Ali, crítica acirrada do Islã e roteirista do filme Submission, que levou ao assassinato do diretor Theo Van Gogh, e a agora ex-ministra daImigração Rita Verdonk, conhecida popularmente como a Dama de Ferro da Holanda pela sua política de imigração linha dura. "Rita Verdonk não combina com a imagem que as pessoas tinham da Holanda. Suas declarações polêmicas e sua política de extrema direita certamente contribuíram consideravelmente para denegrir a imagem do país" – explicou a correspondente internacional do jornal espanhol El Pais, Isabel Ferrer,que vive na Holanda desde 1998.

Medidas governamentais

Jan Peter Balkenende

Apesar de van der Woude afirmar que a imagem negativa do país nos últimos anos ainda não afetou a economia e de o responsável pelas Relações Públicas da cidade de Amsterdã, Charles van Renesse, dizer que, apesar de tudo, o número de turistas que visita Amsterdã anualmente cresceu, o novo governo, que tomou posse no mês passado, já deu sinais de que cuidar da imagem da Holanda no exterior é uma prioridade.

Em seu discurso no dia primeiro de março, o primeiro-ministro afirmouque é socialmente inaceitável e economicamente irresponsável que alguns grupos sejam excluídos da sociedade. De acordo com Balkenende, os seis pilares principais de foco da nova administração serão: participação internacional ativa, economia forte, qualidade de vida, estabilidade social, segurança e um setor público eficiente.

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