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Educação empresarial

Graduados em administração não querem trabalhar em bancos

Para os graduados nas faculdades de administração mais importantes do mundo, os bancos de investimento estão em baixa e empresas de consultoria e tecnologia estão em alta

Graduados em administração não querem trabalhar em bancos
Atacados em tantas frentes, os bancos estão reagindo (Reprodução/Dave Simonds)

Um banqueiro de investimento fazia parte de uma raça especial, o membro de uma superraça de negociadores. Ele era dotado de enorme talento e ambição”. Assim escreveu Michael Lewis em seu livro de 1989 “Liar’s Poker”. Lewis registrou a ascensão dos estudantes mais talentosos aos bancos de investimento na década de 80, uma situação que permanecia quando a crise financeira atingiu o mundo em 2007. À época 44% dos formados no MBA de Harvard começavam a trabalhar na área financeira; 12% foram trabalhar em bancos de investimento. Na turma de 2013, no entanto, apenas 27% dos formados escolheram trabalhar com finanças e apenas 5% se tornaram banqueiros de investimento.

Desde a crise os bancos de investimento eliminaram os programas de recrutamento através dos quais costumavam contratar dezenas de funcionários que acabam de sair dos cursos de pós-graduação em administração de empresas. Hoje, ao contrário, eles investem mais em contratar os alunos mais inteligentes da graduação, apostando que é mais produtivo – e mais rentável – desenvolver gerações de analistas júnior na própria empresa, em vez de contratar profissionais com ideias formadas em caros cursos de MBA.

Atacados em tantas frentes, os bancos estão reagindo. Alguns estão realizando campanhas incentivando os pós-graduados a não acreditar em reportagens que os retratam como malvados ou gananciosos. Outros estão tentando atrair novos profissionais ao convencê-los de que eles estarão ajudando a transformar o mundo em um lugar melhor. O portal de empregos do Goldman Sachs anuncia oportunidades para trabalhar em projetos comunitários ao lado de vagas para analistas: “É por isso que as pessoas escolhem trabalhar no Goldman Sachs, porque podem fazer a diferença para o mundo”, anuncia o vídeo de recrutamento do banco.

Alguns bancos estão tentando mudar suas culturas, adotando uma linha dura contra o assédio sexual de funcionárias e defendendo um equilíbrio mais salutar entre o trabalho e a vida pessoal, às vezes chegando a permitir folgas aos sábados. No entanto, para os melhores e mais inteligentes dos cursos de pós-graduação de administração, talvez isso não seja o bastante.

 

Fontes:
The Economist-Banks? No, thanks!

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