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MANIFESTAÇÃO

Greve geral para a Nicarágua

Postos de gasolina, bancos, mercados e diferentes empresas mantêm as portas fechadas nesta quinta-feira, 14

Greve geral para a Nicarágua
Mais de 148 pessoas já foram mortas durante os protestos (Foto: Natl Advocacy Center/Twitter)

Com protestos frequentes há quase dois meses, os manifestantes da Nicarágua fazem uma greve geral nesta quinta-feira, 14. Como principal reivindicação, os nicaraguenses exigem a saída do presidente Daniel Ortega, um dos principais nomes da revolução contra a ditadura, e de sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo.

A paralisação das atividades começou a meia-noite desta quinta-feira e será mantida até a meia-noite da próxima sexta-feira, 15. De acordo com o jornal La Prensa, um dos principais da Nicarágua, postos de gasolina, bancos, mercados, pequenos e médios comércios e diferentes empresas não estão em funcionamento.

Até o momento, segundo o jornal britânico Guardian, 148 pessoas morreram, incluindo dois policiais, desde o início das manifestações, em abril. Já, segundo a ONG Human Rights Watch (HRW), mais de 435 pessoas já ficaram feridas em protestos.

Porém, ainda há certa imprecisão quanto o número de mortos e feridos durante as manifestações. Segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), já foram 152 mortos e mais de 1,3 mil pessoas feridas durante as manifestações.

Mesmo admitindo que a greve não vai conseguir tirar Daniel Ortega do poder, a líder estudantil Valeska Valle, de 22 anos, e uma das principais lideranças dos protestos, afirma que é uma forma de “pressionar” para dar fim ao governo “opressivo”. “Esta greve é ​​sobre o nosso futuro e sabemos que as pessoas vão apoiá-lo”.

O presidente Daniel Ortega tinha o massivo apoio do povo nicaraguense, assim como da esquerda global, pela sua luta contra a ditadura do país e posicionamento contra o governo capitalista dos Estados Unidos. Eleito democraticamente em 2006, porém, Ortega tem atuado de forma cada vez mais autoritária, segundo as críticas. O chefe de Estado se nega a renunciar ao cargo ou antecipar as próximas eleições presidenciais, previstas para 2021.

Para o antecessor de Ortega, o ex-presidente Enrique Bolaños, em entrevista ao Guardian, o chefe de Estado pode estar se apegando ao poder por medo de ser processado por assassinatos cometidos por forças de segurança e grupos paramilitares. Daniel Ortega, porém, nega que a responsabilidade das mortes nos protestos seja do governo.

Na próxima sexta-feira, 15, os bispos católicos da Conferência Episcopal da Nicarágua vão apresentar as propostas que enviaram ao presidente Daniel Ortega e as respostas do chefe de Estado.

 

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Fontes:
The Guardian-Nicaragua protest leaders call 24-hour strike to oust Daniel Ortega
O Globo-Bispos convocam diálogo entre governo e oposição na véspera de greve na Nicarágua

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