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REFORMA

Greve na França põe reforma de Macron em xeque

Funcionários públicos se juntam aos ferroviários em greve contra plano de Macron de revisar o sistema ferroviário do país

Greve na França põe reforma de Macron em xeque
A greve desta quinta-feira é apenas o início de uma paralisação prolongada do sistema ferroviário (Foto: Twitter/@francoiscarpit1)

O presidente francês Emmanuel Macron enfrenta nesta quinta-feira, 22, um grande desafio para expandir sua campanha de remodelar a economia do país. Desde o começo do ano passado, ele tem feito uma revisão das leis trabalhistas, mas a greve desta quinta-feira coloca em xeque sua capacidade de manter seu plano de reforma.

Esta é a primeira vez desde que Macron assumiu o poder, em maio do ano passado, que funcionários públicos se juntam aos ferroviários na greve e nos mais de 150 protestos marcados para acontecer em várias cidades. Professores, enfermeiros, controladores de voo e outros funcionários se juntaram aos trabalhadores da companhia ferroviária estatal.

Muitas escolas primárias estão fechadas, já que 13% dos professores aderiram à greve. Cerca de 30% dos voos para Paris foram cancelados. No sistema ferroviário, 60% das viagens de trens de alta velocidade e 75% das viagens de trens intermunicipais também foram canceladas.

A greve desta quinta-feira é apenas o início de uma paralisação prolongada do sistema ferroviário. O plano é que os ferroviários façam greve de dois dias a cada semana entre os dias 3 de abril e 28 de junho. Isso complicaria e muito a vida dos franceses que dependem do meio de transporte.

Os dois lados da reforma

Os funcionários públicos dizem que Macron voltou atrás em suas promessas de campanha de reconhecer e melhorar a remuneração dos trabalhadores. Eles alegam que Macron está, na verdade, cortando orçamentos e querendo aplicar remuneração com base na meritocracia.

Os ferroviários são contra o plano de Macron de reformar o sistema, que inclui cortar custos e limitar alguns direitos dos ferroviários. Segundo o New York Times, muitos dos atuais benefícios dos ferroviários, incluindo em alguns casos, a possibilidade de se aposentar aos 52 anos, são da primeira metade do século XX, quando muitos dos empregos ferroviários envolviam um trabalho físico árduo como usar uma pá para colocar o carvão nos trens e tirar a neve dos trilhos.

Macron, que é neto de ferroviário, deixou claro essa diferença do trabalho de antigamente com o da atualidade ao conversar rapidamente com um ferroviário que fez perguntas sobre a proposta. “Você não tem o mesmo ritmo de trabalho que meu avô tinha. As mudanças serão melhores para você”. Macron propõe que a companhia estatal ferroviária trate seus funcionários como empregados do setor privado para conter os custos e melhorar o serviço.

A proposta de Macron pode pular o Parlamento, usando um procedimento especial que evita debates específicos sobre o assunto. Trata-se do artigo 49-3 da constituição francesa, que permite interromper o debate na Assembleia Nacional e aprovar projetos de lei sem a necessidade de votação no Parlamento.

A razão para Macron estar fazendo essa revisão ferroviária agora é um pedido da União Europeia de que todos seus estados-membros abram seus sistemas nacionais de trens para competição até 2019.

Os sindicatos, por sua vez, alegam que retirar o status especial dos novos empregados da companhia estatal vai acabar com os pagamentos que financiam todos os planos de aposentadoria dos ferroviários. Eles também temem que o próximo passo seja a privatização do sistema. O primeiro-ministro Édouard Philippe, no entanto, diz que o governo não tem nenhuma intenção de privatizar o sistema ferroviário, mas diz que a companhia estatal precisa ser atualizada para competir com as empresas privadas.

O futuro incerto

O sistema ferroviário francês é altamente subsidiado e está em débito profundo, com uma dívida de cerca de US$ 68 bilhões. Cerca de dois terços do débito é atribuída à construção das linhas de alta velocidade, que foram extremamente caras.

A data da greve foi escolhida propositalmente por remeter ao dia que começaram os protestos nacionais de 1968, que resultaram nas maiores greves do país.

O governo de Macron insiste que vai continuar com o programa de reformas para cortar os gastos estatais e espera que a opinião pública não vá continuar a apoiar a greve por conta da falta do serviço ferroviário. Segundo uma pesquisa do jornal francês Les Echos, pouco mais da metade dos franceses apoia a greve desta quinta-feira, mas a maioria dos funcionários do setor privado é contra a greve. Macron, agora, precisa decidir se vai manter sua palavra de revisar o sistema ferroviário ou se vai voltar atrás.

Leia também: Reforma trabalhista: o primeiro grande desafio de Macron

Fontes:
The Guardian- Thousands of public sector workers go on strike across France
rfi-Greve do funcionalismo da França desafia governo Macron, avalia imprensa
The New York Times-French President’s Next Target: The Railroads. Strikes Loom.
France 24-French civil servants and rail workers strike in test for Macron

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