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ONDA DE PROTESTOS

Greve paralisa seis das oito refinarias da França

Em protesto contra a reforma trabalhista do governo, líderes sindicais paralisam refinarias e geram uma corrida por combustível no país

Greve paralisa seis das oito refinarias da França
Protestos contra a reforma já duram mais de uma semana (Foto: CGT)

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Seis das oito refinarias de petróleo da França paralisaram os trabalhos ou reduziram a produção por conta de greves e bloqueios de vias de acesso feitos por líderes sindicais em protesto contra a reforma trabalhista do governo de François Hollande.

Segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das maiores organizações sindicais da França, a greve foi aprovada por todas as oito refinarias.

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Na manhã desta terça-feira, 24, a polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo para desmontar um bloqueio organizado por manifestantes no acesso à refinaria Exxon Mobil Fos-Sur-Mer, que fica perto da cidade de Marseilles e pertence à americana Exxon Mobil Corp. A CGT criticou a ação, acusando a polícia de exercer uma “violência sem precedentes” contra os manifestantes.

A paralisação nas refinarias deixou os postos de combustíveis desabastecidos e motoristas iniciaram uma corrida para buscar combustíveis que gerou filas e engarrafamentos em vias de várias cidades francesas. No nordeste do país, motoristas atravessaram a fronteira com a Bélgica em busca de combustível.

Os líderes sindicais protestam contra a reforma trabalhista que tornará mais fácil para empresas demitir funcionários e reduzirá o valor pago pela hora extra de trabalho. As manifestações se intensificaram após o primeiro-ministro Manuel Valls utilizar uma manobra para acelerar a aprovação da reforma sem o devido debate no parlamento.

Os protestos já duram mais de uma semana, mas Hollande e Valls já declararam que não vão ceder. Diante disso, os líderes sindicais decidiram aumentar o tom dos protestos, mirando as refinarias do país como forma de aumentar a pressão. O Movimento das Empresas da França (MEDEF) exortou o governo a restabelecer a ordem no país.

O cenário caótico é agravado pelo aumento da violência nos protestos e nas repressões policiais. Escritórios do Partido Socialista em várias partes do país tiveram as janelas quebradas ou pichadas. Na última segunda-feira, 23, o comitê do partido em Grenoble amanheceu com 12 marcas de tiros.

Hollande, que pretende disputar reeleição no ano que vem, teme que o final de seu primeiro mandato seja marcado por protestos, como ocorreu com Nicolás Sarkozy, que não conseguiu se reeleger por conta das manifestações contra a reforma previdenciária proposta pelo seu governo.

Sarkozy deixou a presidência em 2012, após ser derrotado nas eleições por Hollande. Agora, o atual presidente sofre com a baixa popularidade e pode ter o mesmo destino de seu antecessor.

Fontes:
The Guardian-Strike hits French oil refineries as police break up Marseille picket

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