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SÍRIA

Grupo paramilitar russo atua na Síria

A captura de dois soldados pelo Estado Islâmico revelou informações importantes sobre a atuação de um grupo paramilitar russo na Síria

Grupo paramilitar russo atua na Síria
A existência não oficial desses grupos em conflitos ao lado de tropas reavivou a proposta de legalizá-los (Foto: Flickr)

“Sou Roman Sergeyevich Zabolotny, nascido em 1979, e fui preso”, disse um homem em russo em um vídeo divulgado no mês passado pelos jihadistas do Estado Islâmico (Isis). Um segundo soldado, com o olho direito inchado, estava sentado ao seu lado vestido com uma roupa cinza. Ambos foram capturados durante uma batalha perto de Deir ez-Zor, uma cidade no leste da Síria e local de uma recente ofensiva das tropas do governo russo e sírio. No entanto, o Ministério da Defesa da Rússia negou que algum dos seus soldados tivesse desaparecido. Amigos e parentes disseram à imprensa russa que os dois tinham ido para a Síria com um grupo de mercenários chamado Wagner.

O grupo tem desempenhado um papel fundamental nas operações russas na Síria. Embora, oficialmente, a lei russa proíba a existência de tropas militares privadas (PMCs), segundo um site de notícias de São Petersburgo, Fontanka.ru, no final de 2015 antigos soldados foram recrutados para integrar o grupo Wagner por um ex-oficial das forças especiais, Dmitry Utkin. Com 2.500 soldados, o grupo serviu como uma “tropa de choque” ao lado do exército sírio na ofensiva em Palmira, em 2016, disse Mark Galeotti, especialista em segurança russa do Instituto de Relações Internacionais em Praga. Apesar do exército russo não reconhecer a existência do grupo Wagner, Utkin foi fotografado no final do ano passado ao lado do presidente Vladimir Putin, em uma recepção no Kremlin para oficiais militares em homenagem ao Dia dos Heróis da Pátria. Este ano, os Estados Unidos acrescentaram seu nome à lista de militares envolvidos no conflito da Ucrânia em 2014.

Quando a Rússia iniciou sua intervenção na Síria em setembro de 2015, o governo disse que faria uma operação aérea de curta duração. As tropas de infantaria eram vistas como tabus, em razão da lembrança da guerra no Afeganistão. Portanto, era conveniente ter forças terrestres independentes comandadas pelo exército russo. “Além disso, esses soldados resolvem um problema concreto: não há vítimas”, disse Alexander Golts, um analista militar. Oficialmente, as forças armadas da Rússia registraram 41 mortes na Síria, incluindo um general morto em um bombardeio perto de Deir ez-Zor em setembro, quando comandava o Quinto Corpo de voluntários da Síria. No entanto, jornalistas investigadores e blogueiros alegam que mais mercenários ligados ao grupo Wagner morreram em combate.

Esse modelo de organização paramilitar foi testado pela primeira vez na guerra na Ucrânia. Junto com os separatistas locais e as forças regulares do Exército russo, havia grupos de voluntários e mercenários russos, entre eles Utkin. Quando os combates diminuíram em 2015, os mercenários e voluntários voltaram para a Rússia ou procuraram emprego em outro lugar. Muitos deles foram para a Síria, disse um ex-líder separatista.

A existência não oficial desses grupos envolvidos em conflitos ao lado de tropas russas reavivou a proposta de legalizá-los. A ideia inspirou-se em empresas de segurança americanas, como a Academi, antes chamada Blackwater, que atuam em operações militares especiais do governo dos EUA. No final de 2014, Gennady Nosovko, membro do partido Rússia Justa, apresentou um projeto de legalização dos PMCs, mas o Conselho de Segurança rejeitou o projeto. Havia também uma grande resistência entre as forças armadas e os serviços de segurança, preocupados com a perda do monopólio de violência. Outros especialistas, disse Nosovko, temiam que os empresários poderosos controlassem seus próprios exércitos privados, com terríveis consequências.

 

Fontes:
The Economist - How “Wagner” came to Syria

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