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VENEZUELA

Guaidó admite ter superestimado o apoio de militares

Líder opositor venezuelano diz precisar de mais soldados no levante contra Maduro e não descarta intervenção militar dos EUA na Venezuela

Guaidó admite ter superestimado o apoio de militares
Guaidó admitiu haver frustração nas ruas após o fracasso (Foto: Facebook/Juan Guaido)

O líder opositor e autoproclamado presidente da Venezuela Juan Guaidó reconheceu no último sábado, 4, que superestimou o apoio de militares no levante que liderou contra Nicolás Maduro na última terça-feira, 30.

Em entrevista ao jornal Washington Post, Guaidó afirmou que a oposição precisa do apoio de mais militares para depor Maduro e não descartou submeter à votação da Assembleia Nacional uma eventual oferta de intervenção militar dos Estados Unidos.

Na última terça-feira, Guaidó divulgou um vídeo, ao lado do opositor Leopoldo López, feito nas proximidades da base militar de La Carlota, em Caracas, anunciando o início de uma operação definitiva – batizada de Operação Liberdade – para depor Maduro e, em suas palavras, “pôr fim à usurpação” na Venezuela, em referência ao governo de Maduro. Segundo Guaidó, a operação contava com o apoio de militares.

O líder opositor esperava que Maduro deixasse o poder em meio a uma debandada em massa de militares de sua base aliada. Porém, em vez de responder ao chamado de Guaidó, os soldados reprimiram os manifestantes e fizeram a posição bater em retirada.

“Talvez porque ainda precisemos de mais soldados, e talvez precisemos de mais oficiais do regime dispostos a apoiar, a defender a Constituição. Penso que as variáveis são óbvias a essa altura”, disse Guaidó.

Questionado sobre o que diria, caso recebesse uma proposta de intervenção do Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, Guaidó disse que agradeceria a oferta e avaliaria as opções no Parlamento.

Guaidó admitiu haver frustração nas ruas após o fracasso, mas disse que isso “faz parte” do processo e que os venezuelanos sempre voltam a lutar quando é preciso.

“Pelo fato de termos feito o que fizemos e não obtivemos sucesso da primeira vez, não significa que não seja válido. Nós estamos confrontando uma parede, que é uma ditadura absoluta. Nós reconhecemos os nossos erros. O que não fizemos, e o que fizemos demais”, disse o opositor.

Porém, para analistas políticos, o cenário adiante será mais complicado. Isso porque, agora, além de seguir com os esforços para depor Maduro, Guaidó tem outro desafio pela frente: manter a oposição unida. Isso porque o equívoco da semana passada gerou rusgas entre opositores, que ultimamente vinham demonstrando uma incomum união, desde que a ascensão de Guaidó renovou as esperanças de depor Maduro.

Alguns opositores frustrados culpam Leopoldo López – mentor de Guaidó – pelo fracasso do golpe contra Maduro. López estava em prisão domiciliar, mas saiu para participar da operação graças à permissão de soldados que se voltaram contra Maduro. Foi López quem coordenou as negociações com integrantes do governo que supostamente se voltariam contra Maduro na terça-feira. Porém, sua triunfante aparição ao lado de Guaidó acabou por expor um plano traçado cuidadosamente, segundo avaliam alguns parlamentares.

Consultado pelo Washington Post, o analista político venezuelano Carlos Romero disse que o evento “chocou a política venezuelana”. “As pessoas estão confusas, magoadas, desmotivadas. Ouvi alguns políticos chamarem de ‘Leopoldada’ [a fracassada tentativa de depor Maduro]. E o mais afetado é Guaidó, que vem se vendendo como um líder da união. Aparecer ao lado de Leopoldo em uma posição dessas pode ter reduzido a confiança que alguns líderes tinham por ele”, disse Romero.

Fontes:
The Washington Post-Guaidó says opposition overestimated military support for uprising

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