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VENEZUELA

Guaidó diz ter apoio militar para derrubar Maduro

Autoproclamado presidente da Venezuela convoca a população às ruas e diz ter apoio dos militares para pôr 'fim à usurpação' na Venezuela

Guaidó diz ter apoio militar para derrubar Maduro
Guaidó recebeu o apoio de Leopoldo López, um dos principais líderes da oposição (Foto: Leopoldo López/Twitter)

O presidente da Assembleia Nacional venezuelana e autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, garantiu que tem o apoio dos militares para retirar do poder o presidente Nicolás Maduro, reeleito em 2018, em um pleito marcado por controvérsia. De acordo com Guaidó, a intenção é o “fim definitivo da usurpação”.

A afirmação foi feita na manhã desta terça-feira, 30, ao lado de Leopoldo López, um dos principais líderes opositores ao governo Maduro. López estava em prisão domiciliar, mas disse ter sido libertado nesta terça-feira, por militares, “por ordem da Constituição e do presidente Guaidó”. López era considerado pela oposição de Maduro um preso político.

“[Esta é] uma luta não violenta, para trabalhar pelo próximo, salvar vidas, trabalhar pelos mais vulneráveis. […] Hoje, valentes soldados, valentes patriotas, valentes homens apegados à nossa Constituição, acolheram ao nosso chamado. […] O primeiro de maio começou hoje. O fim definitivo da usurpação começou hoje”, afirmou Guaidó através de um vídeo compartilhado no Twitter.

Além de López, Guaidó estava rodeado de militares. Ao longo dos últimos meses, o autoproclamado presidente venezuelano revelou que militares já o estavam apoiando. A crescente defesa dos militares a Guaidó foi admitida pelo governo Maduro. O ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou, pelas redes sociais, que o governo está enfrentando um “reduzido grupo de militares traidores”.

“A essa tentativa [de golpe] se uniu a ultradireita golpista e assassina, que anunciou sua agenda violenta há meses. Chamamos o povo para se manter em alerta máximo para, junto com a gloriosa Força Armada Nacional Bolivariana, derrotar a tentativa de golpe e preservar a paz. Venceremos”, escreveu Rodríguez.

No momento, a Venezuela está dividida. Os apoiadores de Guaidó se reúnem na base aérea militar conhecida como La Carlota, em Caracas. Enquanto isso, os defensores de Maduro se concentram nos arredores da sede do Executivo venezuelano, o Palácio de Miraflores, também em Caracas.

Na última segunda-feira, 29, Guaidó havia informado sobre uma nova manifestação nacional na próxima quarta-feira, 1. No entanto, com a libertação de López, o protesto foi antecipado. Pelas redes sociais, Guaidó informou que está se reunindo com as principais unidades das Forças Armadas para iniciar a fase final da Operação Liberdade – como está sendo chamado o movimento de retirada de Maduro do poder.

O ministro da Defesa de Maduro, Vladimir Padrino López, também usou as redes sociais para criticar a tentativa de golpe, classificando os opositores como “covardes”. Padrino López garantiu que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) continua apoiando Maduro. Ademais, acusou a oposição de estar portando armas de guerra nas vias públicas para criar terror.

Através das redes sociais, a FANB também se manifestou. Os militares garantiram que estão “apegados à Constituição e leais ao presidente constitucional Nicolás Maduro”. Ademais, rechaçou o que chamou de “movimento golpista desta minoria”. Segundo a FANB, os militares que passaram a apoiar a posição pretendem “levar violência ao nobre povo da Venezuela”. Diferentes outros órgãos militares se manifestaram em apoio a Maduro.

O autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, é apoiado por mais de 50 países, entre eles potências mundiais e países vizinhos da América do Sul, como o Brasil. Enquanto isso, Maduro mantém ao seu lado, como principais apoiadores, a Rússia, Turquia, China e Bolívia.

Nicolás Maduro demorou a se manifestar sobre a movimentação da oposição. No entanto, pelas redes sociais, garantiu que conversou com as forças militares do país, que manifestaram sua “total lealdade ao povo, à Constituição e à pátria”. “Apelo à máxima mobilização popular para garantir a vitória da paz”, escreveu no Twitter.

Antes de se posicionar, Maduro estava apenas compartilhando mensagens de apoio ao seu governo, como do presidente da Bolívia, Evo Morales, que condenou “veementemente” a “tentativa de golpe de Estado”.

Por outro lado, apoiadores de Guaidó também têm se manifestado em prol da movimentação da oposição de Maduro. O presidente da Colômbia, Iván Duque, usou as redes sociais na manhã desta terça-feira para convocar o povo venezuelano a estar “do lado certo da história”.

“Convocamos os militares e povo da Venezuela para que fiquem do lado certo da história, rechaçando a ditadura e usurpação de Maduro; unindo-se em busca da liberdade, da democracia e da reconstrução institucional, encabeçada pela Assembleia Nacional e pelo presidente Juan Guaidó”, escreveu Duque.

Já o presidente do Chile, Sebastián Piñera, reforçou o apoio a Guaidó. O chefe de Estado chileno destacou que a “ditadura de Maduro deve terminar pela força pacífica e dentro da Constituição”.

Escalada da crise

A Venezuela atravessa, há anos, uma grave crise política, econômica e humanitária. No entanto, em 2018, a situação alcançou níveis alarmantes. Milhões de pessoas abandonaram o país, migrando para nações vizinhas, em busca de melhores condições de vida. A reeleição de Maduro também fez com que a crise aumentasse.

Em janeiro deste ano, ao iniciar o segundo mandato, Maduro deu início a uma nova fase da tensa situação política do país. Em resposta , Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela, recebendo imediato apoio de diferentes líderes mundiais, entre eles Jair Bolsonaro (Brasil) e Donald Trump (Estados Unidos).

Na semana seguinte, Guaidó aumentou a sua influência na comunidade internacional, sendo reconhecido também pelo Parlamento Europeu, da União Europeia. Cerca de dez dias antes de se autodeclarar presidente, Guaidó chegou a ser preso por militares venezuelanos, mas foi liberado.

Desde então, Guaidó começou uma escalada para reforçar a oposição de Maduro e retirar o chefe de Estado do cargo. Um dos principais episódios de confronto entre os apoiadores de Guaidó e os defensores de Maduro ocorreu em fevereiro, quando ambos os líderes fizeram uso da ajuda humanitária como ferramenta política.

O imbróglio terminou em confrontos, pessoas feridas e caminhões de ajuda humanitária queimados. Devido ao embate, o governo Maduro expulsou diplomatas colombianos do país e fechou a fronteira com o Brasil – a fronteira com a Colômbia já estava fechada, assim como os portos do país.

A partir daí, o Grupo de Lima também se tornou mais ativo. Formado, principalmente, por países que apoiam Guaidó, o Grupo de Lima pediu, em diferentes oportunidades, a aplicação de sanções contra o governo Maduro. No entanto, sempre rejeitou qualquer tipo de intervenção militar no país.

Em contrapartida, desde o fim de março o governo de Maduro aumentou a pressão sobre a oposição, liderada por Guaidó. O Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) deteve, no último dia 21 de março, Roberto Marrero, o chefe do Gabinete de Guaidó.

Na sequência, órgãos apoiadores de Maduro começaram a atacar diretamente Guaidó. Primeiramente, o presidente da Assembleia Nacional foi banido de cargos públicos por 15 anos. Em seguida, a imunidade parlamentar de Guaidó foi suspensa, levantando temores de que o autoproclamado presidente pudesse ser preso.

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