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Guerra ao sexo online

Um xerife lidera uma campanha contra um site de anúncios classificados acusado de promover a prostituição

Guerra ao sexo online
o Backpage tem uma receita de US$9 milhões a 10 milhões todos os meses com os anúncios de sua seção de adultos (Foto: Wikipedia)

A prostituição é ilegal nos Estados Unidos, exceto em alguns condados de Nevada, mas Backpage, um site de anúncios classificados administrado por dois ex-jornalistas, Jim Larkin e Michael Lacey, é um dos maiores sites de prostituição nos EUA. A seção da categoria adultos inclui subdivisões que vão desde “acompanhantes”, “dominação & fetiche” à “massagem”.  Backpage tem sido alvo de ataques há anos de ativistas e políticos, que acusam o site de promover o lenocínio de garotas menores de idade. Em 2011, 46 procuradores-gerais enviaram uma carta à empresa exigindo medidas mais rigorosas de combate à prostituição no site.

Backpage tem se defendido com base na Communications Decency Act, um lei federal promulgada em 1996, segundo a qual os provedores de serviços de internet só dão acesso às informações recebidas e não as editam e, portanto, não são responsáveis por dados publicados por terceiros. As pessoas que apoiam as atividades do site fizeram uma defesa com um fundamento menos jurídico: as mulheres que colocam seus anúncios no site não podem andar nas ruas, com os perigos que isso trás. Além disso, sites como Backpage facilitam o trabalho da polícia de identificação das garotas menores de idade, ou que tenham sigo obrigadas a se prostituírem, e de procurar os responsáveis.

Thomas Dart, o xerife de Cook County, não tem a mesma opinião. Dart tentou durante anos convencer o Backpage a fazer uma triagem na seção de adultos no site, onde cerca de 70% dos anúncios de sexo são publicados. Há pouco tempo, em apenas um mês, Backpage.com postou mais de 1,4 milhão de anúncios na subdivisão acompanhante da seção, dos quais talvez menos de 1% relacionava-se a assuntos que não fossem sexo.

Depois que suas tentativas de convencer o site a fazer essa triagem foram ignoradas, o xerife decidiu assumir uma posição mais agressiva. Em 29 de junho, Dart enviou uma carta às empresas de cartão de crédito MasterCard e Visa pedindo que interrompessem imediatamente o uso de seus cartões, para o pagamento de anúncios na seção de adultos do Backpage. Para surpresa do xerife, 48 horas depois do envio de sua carta a MasterCard e a Visa interromperam as operações de compra de anúncios no Backpage. (A American Express, outra grande empresa de cartão de crédito, já não fazia transações comerciais com o Backpage desde o início deste ano.)

A empresa não se manifestou publicamente diante do ostracismo imposto pelas companhias de cartão de crédito, mas a partir de 7 de julho todos os anúncios da seção da categoria adultos do site passaram a ser gratuitos. No entanto, isso é uma solução temporária enquanto o Backpage tenta descobrir uma forma de pagamento em dinheiro ou com bitcoin, uma moeda digital, porque os anúncios de sexo são muito lucrativos.

De acordo com estimativas conservadoras, o Backpage tem uma receita de US$9 milhões a 10 milhões todos os meses com os anúncios de sua seção de adultos. Dart disse que não é tão ingênuo a ponto de pensar que pode terminar com a prostituição. “Esta não é uma cruzada moral”, comentou. Mas ele quer acabar com o tráfico sexual, em especial quando envolve crianças.

Fontes:
The Economist - Hold the Backpage

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