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História da ex-parlamentar holandesa Ayaan Hirsi Ali ganha o mundo

Amsterdã, Holanda – Polêmico, questionador e, acima de tudo, político. Assim é o novo livro da ex-membro do parlamento holandês Ayaan Hirsi Ali, que já se tornou best-seller na Europa e agora conquista o mundo.

Foto de Rineke Dijkstra, The Caged Virgin, Free Press

Lançado em holandês em setembro do ano passado, Mijn Vrijheid (Minha Liberdade ) vendeu todas as suas 17.500 cópias em apenas dois dias. A edição alemã teve o privilégio de figurar entre a concorrida lista dos 20 livros mais vendidos publicada na revista Der Spiegel. Apesar da demora, a versão em inglês, batizada de Infidel (Infiel ), foi lançada, nos Estados Unidos, pela renomada editora Simon and Schuster este mês. O livro, que já foi traduzido em 16 línguas, deve ser lançado no Brasil pela editora Companhia da Letras.

Reconhecimento no cenário internacional

Ayaan Hirsi Ali ganhou destaque no cenário político holandês ao conquistar seu assento no parlamento em 2002 e expor suas idéias polêmicas sobre o islamismo e políticas de imigração e integração em uma época em que falar de uma subclasse de imigrantes era visto como inapropriado. Considerada uma da 100 pessoas mais influentes do mundo, em 2005, pela revista americana Time e a Européia do Ano pela Reader's Digests, a somali Ayaan Hirsi Ali ficou conhecida mundialmente por ter escrito o roteiro do filme Submission, que acabou culminando no assassinato do diretor Theo Van Gogh. Van Gogh foi morto com um tiro e 28 facadas no peito enquanto ia para o trabalho de bicicleta em Amsterdã. Enterrada com uma faca no peito do diretor, foi encontrada uma carta de ameaça a políticos holandeses dirigida, principalmente, a Ayaan.

Submission

O curta-metragem de onze minutos aborda a questão da subordinação das mulheres na religião islâmica. O filme que gerou tanta discórdia mostra uma muçulmana vestida com uma burca semi-transparente dialogando com Alá. Além da forma irônica apresentada no discurso, o filme choca por mostrar imagens de uma mulher ferida, que tem projetada em seu corpo frases do Corão, o livro sagrado do Islã.

Em entrevista a televisão pública sueca SVT1, Ayaan explica que as frases projetadas no corpo da mulher correspondem a quatro passagens do Corão em que a submissão da mulher está explícita.

Ayaan disse à TV norueguesa NRK 1 que o assassinato de Van Gogh não a surpreende. Ela revela que os dois haviam conversado bastante sobre as conseqüências que o filme poderia trazer e que, exatamente por isso, nem o nome dos integrantes da equipe de filmagens e nem o rosto da atriz do filme foram revelados. Apesar das minhas advertências, Van Gogh insistiu em ter seu nome creditado – afirma Ayaan.

De ícone da política holandesa à perda de sua cidadania

No contexto de um governo de direita, em que novas leis de imigração foram criadas pela ministra da Imigração Rita Verdonk, popularmente conhecida como a Dama de Ferro da Holanda, as idéias de Ayaan de reformar o islamismo através da emancipação das mulheres muçulmanas ganharam enorme popularidade. O fato de ela ter nascido na Somália, ter sido criada dentro da lógica da doutrina do Islã e, mesmo assim, ter se libertado da religião depois de ter sido aceita como exilada na Holanda, vindo a se tornar uma grande crítica da doutrina proferida pelo profeta Maomé, contribuiu ainda mais para seu reconhecimento como ícone na luta por uma sociedade mais justa e pelos direitos da mulher. A situação de Ayaan começou a mudar em maio do ano passado, quando as autoridades holandesas passaram a questionar seu processo de naturalização. Na época, um programa de televisão chamado Zembla apresentou evidências de que Ayaan havia mentido seu nome, sua idade, e o país de que tinha vindo quando pediu asilo político na Holanda.

Apesar de ela ter admitido as mentiras que contou ao serviço de imigração em 2002, quando foi convidada a se juntar ao partido VVD, a ministra da Imigração Rita Verdonk, que pertence ao mesmo partido de Ayaan, não a perdoou e no dia 15 de maio declarou que ela teria sua cidadania anulada. Apesar de muito questionada pelos parlamentares, a decisão de Verdonk acabou culminando na abdicação do cargo por parte de Ayaan. As reais razões que motivaram a decisão de Rita Verdonk nunca ficaram muito claras. Foi muito estranho como tudo aconteceu. Não dá para entender como Hirsi Ali passou de um ícone da política holandesa a ser expulsa do país – disse ontem o correspondente da agência internacional de notícias francesa AFP, Gerald de Hemptinne, em um evento realizado em Amsterdã, que tratava da imagem da Holanda no exterior.

Uma nova vida

Apesar de ainda conviver com a proteção policial constante, Ayaan Hirsi Ali busca uma nova vida nos Estados Unidos, onde pretende continuar seu trabalho de defesa dos direitos das mulheres muçulmanas no American Enterprise Institute, em Washington. Quando perguntada se não pensa em desistir de seus ideais por medo de morrer, ela se limita a dizer: A luta pela liberdade não vem sem um preço.

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13 Opiniões

  1. William Tecumseh Sherman disse:

    Que não haja dúvidas: uma cultura retrógada e fascista como a islâmica só poderá ser renovada a partir da sublevação de sua parcela mais oprimida, as mulheres. Quando estas compararem seu estado de anulação submissa com as liberdades de que gozam as ocidentais, participantes e ativas em suas sociedades, teremos novidades. Já há um grande número de personagens individuais, como Wafa Sultan, Ayaan Hirsi Ali e as universitárias de Teerã, entre outras, que representam a face visível desse lento mas inexorável movimento.

  2. Patricio Macario disse:

    Esta é uma heroína moderna. Enfrenta ameaças de morte e vai em frente defendendo suas idéias. Precisamos de mais gente como ela.

  3. Fernanda disse:

    Pessoas revolucionárias, que ultrapassam as barreiras do limite de seus princípios, são dignas de todo respeito e oportunidade. Sábia mulher que não teve medo de expor as dores e os precoceitos sofridos pelas mulheres islâmicas.

  4. Benedito Lacerda disse:

    Essa mulher tinha mais que obedecer sua família, casar com quem o pai dela escolheu, e deixar de ser besta! Abaixo essas feministas!

  5. MLS disse:

    E o senhor Benedito Lacerda deveria voltar para a caverna de onde nunca deveria ter saído.

  6. orlando pinheiro da silva disse:

    esta mulher é um ser humano extraordinário!!!
    como poucos nesta droga de planeta.
    a cabeça do sr. benedito lacerda uma cloaca.
    cala-te energúmeno!!!

  7. ASVR disse:

    Não é uma questão de feminismo mas de liberdade, são poucas as pessoas que conseguem separar as duas Sr. Lacerda!
    Sem dúvida um exemplo de ser humano!

  8. RAY DOS ANJOS disse:

    O livro "INFIEL", foi um dos melhores livros que já li.
    Eu já conhecia essa moça, desde quando passei férias na Holanda, como não sabia o idioma holandês, não conseguia saber muita coisa da sua vida. Porém, o livro ao chegar no Brasil comprei imediatamente. Que inteligência! que visão de mundo! O que mais me impressionou nessa moça, foram as palavras que ela disse ao ter a certeza de que os mitos não existem, e ir para o espelho e dizer: "agora sim, sou livre, não tenho mais medo de anjos de inferno etc.." Como é bom quando nos sentimos libertadas de todas essas amarras de fé religiosa.
    Parabéns a Ayann, como gostaria de encontrá-la.

  9. flau chabunas disse:

    Adorei, simplesmente lindo, apesar de triste. É difícil para nós ocidentais entender o sofrimento das mulheres muçulmanas. Ayaan parabéns pela coragem.

  10. Keila Reis disse:

    INFIEL é o melhor livro que já li. Que exemplo de coragem pra nós. Ayaan nos mostra que é possível lutar pelos nossos ideais, e que é possível ser livre. O que mais me chamou atenção foi que ela se libertou mas nao parou, foi à luta para conseguir a liberdade de muitas outras mulheres. Está cada vez mais raro encontrar pessoas que se preocupam com o bem estar do próximo… Parabéns, Ayaan, queria muito poder conhecê-la pessoalmente!

  11. Eurides Maria disse:

    devorei da primeira a ultima página,maravilhoso,é de pessoas raras como Ayaan que presisamos, para que possamos ter um mundo melhor.

  12. José disse:

    Excelente matéria. A liberdade não tem preço, nem que seja perdendo a vida, lutaremos sempre pela liberdade.Todos os ideais devem ser expostos, mesmo que custe um preço alto. Eu sou solidário a essa grande mulher.Todos os mulçumanos são fanáticos, exceto alguns que não são submissos ao Alcorão ou a lei louca islâmica. O homen pensa que suas leis arbitrárias sobre os demais podem modificar os verdadeiros e legítimos ensinamentos de DEUS.

  13. olbe disse:

    Pilar Rahola, a grande jornalista espanhola disse:
    “A revolução contra os costumes que subjugam a mulher no mundo muçulmano vai começar pelas próprias mulheres muçulmanas”. É verdade, ela já começou com a coragem, a inteligência e a perseverança de Ayaan.A ela eu rendo minhas homenagens.

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