Início » Internacional » Humanização dos softwares pode inibir usuários
NOVA PESQUISA

Humanização dos softwares pode inibir usuários

Um novo estudo mostrou que a crescente humanização das máquinas causa, às vezes, desconforto em seus usuários

Humanização dos softwares pode inibir usuários
A humanização das máquinas pode ter efeito contraproducente na interação com os humanos (Foto: Flickr)

As assistentes digitais como Siri e Cortana estão cada vez mais incorporadas ao dia a dia de seus usuários nos smartphones e computadores. A maioria é projetada para dar a impressão que uma inteligência humana está por trás da voz simpática do software. Diversas experiências ao longo dos anos mostraram que as pessoas criam vínculos fortes com softwares que têm características antropomórficas, sejam elas visuais ou vocais.

Mas essa representação aparente de uma forma humana ou com atributos humanos pode, em determinadas circunstâncias, inibir o usuário, como revelado em um artigo publicado na revista científica Psychological Science por Park Daeun, da Universidade Nacional de Chungbuk, na Coreia do Sul, e seus colegas.

A pesquisa de Park baseou-se em um experimento realizado com 187 participantes. No primeiro teste os pesquisadores apresentaram aos voluntários frases sobre a maleabilidade da inteligência, como “uma pessoa nasce com uma determinada quantidade de inteligência e tem pouca ou nenhuma influência em seu desenvolvimento”, e “a inteligência não é imutável, ela pode evoluir e adaptar-se a novas situações”. Os participantes classificaram suas respostas a essas frases em uma escala de seis pontos, na qual o número um indicou “profundo desacordo” e a pontuação seis “aprovação total”.

No segundo teste os pesquisadores mostraram aos voluntários 16 conjuntos de três palavras, que eles tinham de complementar com uma quarta palavra em uma associação de ideias. Por exemplo, no conjunto “quarto, sangue, sais”, a resposta seria “banho”. Às vezes, as três palavras eram acompanhadas de uma sugestão de resposta, como no exemplo dado, a sugestão era “banheira”.

As sugestões tinham um ícone em forma de computador ao lado da palavra. Para a metade dos participantes o ícone tinha um rosto humano e a sugestão inseria-se em um balão de diálogo usado como representação da fala do rosto. Os demais participantes receberam imagens em que o ícone não tinha rosto nem havia balão de diálogo. Ao final do teste, os participantes indicaram em uma escala de sete pontos como haviam se sentido durante o experimento, e o que pensavam das frases “senti constrangimento em receber ajuda” ou “tive uma sensação de incompetência ao receber ajuda”.

Com base nessas informações, os pesquisadores concluíram que os participantes que acreditavam que a inteligência era imutável sentiram-se constrangidos em receber ajuda de ícones com características humanas. Por sua vez, os que pensavam que a inteligência podia evoluir sentiram-se confortáveis com a ajuda recebida independente da configuração dos ícones. Essa conclusão mostrou que, em certas circunstâncias, a humanização das máquinas tem um efeito contraproducente na interação com os seres humanos.

Fontes:
The Economist - Sometimes, computer programs seem too human for their own good

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *