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‘TODA COMIDA SE FOI’

Ilhas do Caribe viram palco de feroz luta por sobrevivência

Disputa por alimentos leva a saques, invasões de residências e embates corporais em ilhas do Caribe devastadas pelo furacão Irma

Ilhas do Caribe viram palco de feroz luta por sobrevivência
Pessoas saqueiam loja no bairro Quartier-d'Orleans, região francesa de San Martin (Foto: AFP)

Antes uma referência no turismo pelas Américas, as ilhas caribenhas se tornaram um polo de caos e tumulto. A passagem do furacão Irma na semana passada devastou a região, desencadeando uma feroz luta pela sobrevivência entre os moradores locais.

“Toda a comida se foi. As pessoas estão brigando nas ruas pelo que restou”, diz Jacques Charbonnier, de 63 anos, morador da ilha de San Martin, que teve 90% dos prédios destruídos ou parcialmente destruídos.

Logo após a passagem do furacão, moradores começaram se reunir pelas ruas em busca de planos para lidar com a situação. A princípio, foram feitas varreduras em mercados em busca de frutas, biscoitos e água. Porém, com o passar do tempo, as buscas organizadas deram lugar à disputa desenfreada. E com os alimentos se esgotando, as pessoas passaram a levar das lojas tudo que podiam carregar: eletrônicos, eletrodomésticos, carros.

Uma reportagem do New York Times apontou relatos de moradores da região que narram a deterioração da lei de da ordem à medida que moradores lutam contra a escassez de água, alimentos, falta de eletricidade e serviços de telefonia para pedir ajuda.

A violência se estendeu durante o fim de semana, mesmo após governos de França, Reino Unido e Holanda, que administram territórios no Caribe, anunciarem o envio de ajuda humanitária e tropas para restaurar a ordem. Tais medidas são uma resposta dos governos às críticas de que estavam demorando demais em agir para ajudar as dezenas de milhares de caribenhos e turistas que se encontram isolados, cada vez mais desesperados e incapazes de ir para outro lugar, já que o furacão bloqueou estradas e destruiu aeroportos.

No sábado, a crise se aprofundou diante da possibilidade de um segundo furacão, o José, passar pelas ilhas caribenhas. A região escapou de ser atingida pelo furacão José, que acabou por desviar o caminho, mas a possibilidade obrigou a suspensão de serviços de resgate e ajuda humanitária, o que prolongou a agonia de muitos.

Em San Martin, a contagem oficial de mortos é de pelo menos 27, mas moradores locais afirmam que esse número passa de 100, muitos deles teriam sido mortos por criminosos que escaparam de uma prisão local no domingo. O governo francês negou a informação, mas moradores da ilha testemunharam homens armados entrando no hotel Flamboyant, em Marigot, capital da região francesa da ilha. Batendo de porta em porta, eles assaltaram turistas, exigindo deles tudo que tinham de valor. Outros moradores relataram terem visto pessoas brigando violentamente por comida em mercados saqueados, alguns fazendo uso de arma de fogo ou arma branca.

Famílias que têm parentes em San Martin e moram em ilhas próximas menos afetadas passaram a enviar comboios de barcos para resgatar entes queridos. No entanto, a empreitada se mostrou perigosa. Alguns barcos com suprimentos tiveram de dar meia volta, temendo multidões que se aglomeravam na praia à espera de ajuda.

No domingo, um barco conseguiu atracar e partir rapidamente do porto de Marigot. Uma família inteira correu para descarregar o mais rápido possível mantimentos trazidos e colocar outras pessoas, entre elas crianças, a bordo. Após rápidas despedidas, o barco se distanciou da costa, enquanto Maeva Canappele, de 20 anos chorava. “Estava ficando ruim na ilha. Uma pessoa invadiu nossa casa e tentou nos roubar, mas meus familiares conseguiram espantá-la”, disse Maeva, ao “NYT”.

Fontes:
The New York Times-Violence Erupts on Desperate Caribbean Islands: ‘All the Food Is Gone’

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