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CRISE DOS REFUGIADOS

Imagens de refugiados afogados devem ser divulgadas?

Diante da crise dos refugiados, circulam fotos e vídeos de bebês, mulheres e homens se afogando na travessia

Imagens de refugiados afogados devem ser divulgadas?
Patrulha da Guarda Costeia italiana (Foto: Corpo delle Capitanerie di Porto - Guardia Costiera)

Quando a foto do corpo do menino sírio Aylan Kurdi,encontrado na Turquia, foi divulgada ao redor do mundo, a imagem chocou as pessoas e incentivou organizações internacionais a ajudarem na crise dos refugiados. Na semana passada, as autoridades italianas divulgaram vídeos dolorosos de assistir, que mostram crianças, mulheres e homens se afogando depois do naufrágio de seus barcos lotados. A grande questão é se essas imagens devem ou não circular pelo mundo. Segundo o editorial do New York Times, estas imagens devem sim ser divulgadas.

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Apesar do argumento de espetaculização do sofrimento alheio, é preciso que estas imagens sejam divulgadas para que as atrocidades não passem em branco e para que estas mortes não sejam em vão, diz o jornal. Talvez, as atrocidades da Guerra do Vietnã tivessem sido esquecidas caso a foto da “menina napalm” não tivesse sido divulgada, por exemplo. Quando seres humanos arriscam suas vidas para fugir da violência, da pobreza e do caos, está claro que há um problema. Mas onde está a solução?

Neste momento de crise, nações desenvolvidas e famosas por sua igualdade social, simplesmente fecham suas fronteiras e, pior ainda, toleram discursos xenófobos entre a população. A ideia é que se o problema não é com você, ele não merece a sua atenção. Este seria, portanto, o papel destas imagens chocantes. O objetivo é relembrar que antes de um indivíduo ser um refugiado, ele é um ser humano.

Infelizmente, nem mesmo imagens de bebês mortos são capazes de mudar ideologias arraigadas. Mas não é por isso que a esperança também deve morrer. O governo Obama disse que ia reassentar dez mil refugiados em oito meses, um número insignificante diante da crise internacional, mas até agora, só reassentou um quarto deste número.

Não há soluções fáceis numa crise como esta. A Europa e a Otan já aumentaram suas patrulhas, a Guarda Costeira italiana está dando seu melhor para resgatar as pessoas que se afogam na travessia. Só que nada disto basta, enquanto a raiz do problema não for solucionada. Há um governo problemático na Líbia, uma guerra sem fim na Síria, no Iraque e no Afeganistão, além de falta de segurança e desenvolvimento em países da África subsaariana.

Segundo o New York Times, os Estados Unidos deveriam ajudar a liderar este resgate internacional.

Fontes:
The New York Times-A Wrenching SOS

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