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Indiana é expulsa da família por desafiar uma proibição centenária

Kanakadurga, de 39 anos, foi punida pela família por entrar em templo onde mulheres são proibidas por conta da crença de que elas ‘poluem’ a santidade local

Indiana é expulsa da família por desafiar uma proibição centenária
Mãe de dois filhos, Kanakadurga foi impedida de entrar em casa pelo próprio marido (Foto: Reprodução/The Indian Telegraph)

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Kanakadurga, de 39 anos, funcionária do governo da Índia, tem enfrentado grandes protestos, inclusive da própria família, depois que ela compareceu ao templo Sabarimala, em Kerala, no dia 1º de janeiro. Historicamente, o templo proibia a entrada de mulheres em idade reprodutiva, mas a Justiça indiana classificou a proibição como inconstitucional em setembro de 2018.

Desde então, teoricamente, a presença de mulheres no templo foi permitida. No entanto, protestos violentos, liderados por homens, têm impedido que as mulheres consigam chegar ao templo. Apesar de uma mulher, de 46 anos, ter conseguido entrar no dia 4 de janeiro, outras dezenas já foram impedidas de adentrar as dependências para oferecer as orações à divindade Ayyappa, adorada por cerca de 50 milhões de pessoas por ano.

Kanakadurga, assim como a sua amiga Bindu Ammini, de 40 anos, só conseguiu entrar no templo graças à proteção policial, na madrugada do dia 1º de janeiro. Em apoio, centenas de milhares de mulheres formaram uma grande cadeia humana ao longo de mais de 600 quilômetros em Kerala.

No entanto, o apoio das mulheres não foi repetido por outras pessoas desde então. Kanakadurga, casada e mãe de dois filhos, foi impedida de entrar em casa pelo próprio marido, sendo obrigada a dormir em um abrigo na última terça-feira, 22. Antes disso, escondida juntamente com sua amiga, tinha proteção policial 24 horas por dia.

Na semana passada, Kanakadurga teria sido internada depois de afirmar ter sido espancada por um parente com uma tábua de madeira. A polícia tenta intermediar o contato da mulher com a família, mas o marido afirma que Kanakadurga não será aceita em casa. Um irmão da mulher disse a um grupo de devotos de Ayyappa que a própria família também se distanciou de Kanakadurga.

Os devotos da divindade acreditam que a presença das mulheres “polui” a santidade do local. Isso porque Ayyappa seria tradicionalmente celibatária, o que leva os peregrinos a serem celibatários durante 40 dias antes de visitar o templo. Ademais, os devotos também se abstêm de álcool, carne e ovos antes de visitar o templo.

Uma pesquisa mostrou que 75% das pessoas discordam da decisão da Justiça indiana de liberar a presença das mulheres no templo. Os devotos de Ayyappa acreditam que a decisão do tribunal foi uma decisão estatal inapropriada, visto que o assunto tinha cunho religioso. O partido nacionalista hindu Bharatiya Janata, que controla o governo central da Índia tem combatido a suspensão da proibição.

No entanto, o governo do partido comunista de Kerala apoia a decisão da Justiça Por isso, tem sido criticado duramente pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que toma cuidado para não criticar a Justiça. “Sabíamos que os comunistas não respeitam a história, a cultura e a espiritualidade da Índia, mas ninguém imaginou que eles teriam tanto ódio”, afirmou o primeiro ministro na semana passada.

Fontes:
The Guardian-Woman who defied Indian temple ban 'shunned' by family

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