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Indonésia: a luta das policiais pelo fim dos testes de virgindade

As consequências imprevisíveis de uma tradição humilhante na Indonésia

Indonésia: a luta das policiais pelo fim dos testes de virgindade
O site da polícia adverte as jovens recém-admitidas que irão fazer também um “teste de gravidez” (Foto: Wikipedia)

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A delegada de polícia Sri Rumiati defendeu a eliminação do teste de virgindade como um dos requisitos para a entrada de mulheres na polícia da Indonésia. Oficialmente ele foi abolido no ano passado, depois que a Human Rights Watch, uma organização internacional não governamental de defesa dos direitos humanos, criticou a prática. Mas o chefe da polícia da Indonésia, Badrodin Haiti, insiste que os exames não são mais para testar a virgindade, e sim para “testar a saúde reprodutiva, um teste que faz parte de um exame médico completo”. O site da polícia adverte as jovens recém-admitidas que irão fazer também um “teste de gravidez”.

No entanto, Dr. Musyafak, o chefe do Departamento de Medicina da polícia metropolitana de Jacarta, disse que os novos testes incluem um exame médico para verificar se o hímen está intacto. Sempre que possível, as médicas realizam os testes, mas na região rural, onde poucas mulheres exercem a medicina, as recrutas são muitas vezes examinadas por um homem.

Essas imposições irrelevantes para o trabalho policial não são os únicos motivos responsáveis pela presença de apenas 3% de mulheres na polícia da Indonésia. Existem poucas academias que formam mulheres para o ingresso na polícia, mas essas práticas humilhantes não incentivam uma participação maior.

“Se eu me candidatasse a um emprego e soubesse que teria de fazer um teste de virgindade, procuraria outro emprego”, disse Zakiatun Nisa, uma ativista que defende os direitos das mulheres em Jacarta. “A exigência de um teste de virgindade mostra que o empregador tem uma mente distorcida.”

“A polícia da Indonésia precisa de mais mulheres”, disse Rumiati. “Muitas delegacias não têm policiais do sexo feminino.” Segundo Rumiati, isso dificulta o relato de casos de violência doméstica e estupro. Indriyati Suparno, membro da National Commission on Violence Against Women, concorda. As mulheres na Indonésia sentem-se em geral constrangidas de contar seus problemas íntimos, disse. “É difícil falar sobre violência doméstica mesmo com sua melhor amiga. Então, como abordar o assunto com um policial?”

Fontes:
The Economist-Taking the cop out of copulation

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2 Opiniões

  1. Markut disse:

    O “machismo” ancestral , em que a diferenciação básica seria a maior força muscular , hoje perdeu qualquer sentido, já que, se de força se trate, o detonar de uma bomba atômica depende apenas de apertar um botão, que qualquer dedinho feminino, de unha esmaltada, pode fazê-lo com a mesma competência.
    Quanto ao mais, “elas” complementam algumas indispensáveis qualidades que o homem não tem.

  2. Roberto1776 disse:

    O islamismo, assim como o cristianismo já foi, é um sério atraso na vida de qualquer sociedade. É necessário um “edison” para jogar um pouco de “iluminismo” em cima desta crença absurda.

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