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PRESIDENTE DO ZIMBÁBUE

Intervenção militar resulta na prisão de Robert Mugabe

Intervenção eclodiu logo após o vice-presidente, Emmerson Mnangagwa, ser destituído e reflete uma disputa pelo poder

Intervenção militar resulta na prisão de Robert Mugabe
Robert Mugabe, no poder há quase 40 anos, está em prisão domiciliar (Foto: Flickr/Al Jazeera English)

Uma intervenção militar no Zimbábue resultou na prisão do presidente do país, Robert Mugabe. A intervenção eclodiu na última quinta-feira, 15, após o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, um dos favoritos à sucessão de Mugabe, ser destituído do cargo. No momento, Mugabe e sua família são mantidos em prisão domiciliar.

Robert Mugabe está entre os líderes globais com mandato mais longo da história. Ele comanda o Zimbábue há 37 anos, desde que o país se tornou independente do Reino Unido, em 1980. Na época, o presidente já tinha um papel de liderança na guerra pela independência. Além disso, Mugabe, que tem 93 anos, também é o presidente mais velho do mundo.

De acordo com os comunicados dos militares, divulgados através do chefe de logística do Estado-Maior, o major-general Sibusiso Moyo, a intervenção se deu para prender criminosos que rondavam o poder, e, assim que a missão for concluída, o país voltará à normalidade. Os militares cercaram Harare, capital do Zimbábue, com tanques de guerra e outros veículos blindados.

“Só estamos visando os criminosos ao redor dele (Mugabe), que estão cometendo delitos que causam sofrimento social e econômico ao país para poder levá-los à Justiça”, explicou o major-general.

Os militares estão sob a liderança do comandante das Forças Armadas, Constantino Chiwenga, que é próximo do ex-vice-presidente Mnangagwa, e afirmou, na última segunda-feira, 13, que o exército poderia agir a qualquer momento para dar um basta ao “expurgo” promovido no Zanu-PF, partido do governo Mugabe formado por maioria de veteranos da guerra da independência.

Em seguida, os militares passaram a controlar a TV estatal e deram início às prisões de líderes do Zanu-PF, entre eles, o ministro das Finanças Ignatius Chombo. Embora a família de Mugabe esteja em prisão domiciliar, segundo a Reuters, a mulher do presidente, Grace Mugabe, teria fugido para a Namíbia.

Crise Política

Antes mesmo da intervenção militar, o Zimbábue estava dividido em uma crise política movida pela estagnação da economia. O estopim da delicada situação foi a destituição de Mnangawa da vice-presidência, o que a oposição e os militares interpretaram como uma abertura de caminho para a primeira-dama Grace Mugabe assumir o poder em dezembro.

De um lado, estão os apoiadores de Mnangagwa, um veterano da guerra pela independência do Zimbabué, que tinha maciço apoio dos militares. Do outro, estão os apoiadores da primeira-dama, que conta com a força dos jovens, mas recebe críticas pelos seus gastos exagerados, tendo sido até mesmo apelidada de Gucci Grace, em referência a uma marca de acessórios de luxo.

Em 2014, Grace Mugabe, de 52 anos, deixou clara sua intenção política de suceder o marido na presidência após a morte do mesmo. Naquele ano, ela discursou em um comício do Zanu-PF, expressando a vontade de se tornar a vice-presidente. Em outubro deste ano, a primeira-dama já havia acusado o antigo vice-presidente de planejar, juntamente com aliados, um golpe para chegar ao poder.

Além de ser acusado de planejar o golpe contra o presidente, Mnangagwa, de 75 anos, é suspeito de desvio de dinheiro. Com a detenção do presidente, ele retornou ao Zimbábue nesta quinta-feira, 16.

Analistas políticos estão interpretando a movimentação no Zimbábue como uma guerra ideológica interna entre a velha guarda, que apoia Mnangwa, e a jovem guarda, também conhecida como G40 ou geração 40, que apoia Grace Mugabe.

Repercussão internacional

A situação política do Zimbábue ainda é uma incógnita, mas líderes internacionais já se posicionaram a respeito dos fatos ocorridos recentemente.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, falando pela Comunidade de Desenvolvimento Sul-Africana, disse acreditar que não haverá qualquer mudança inconstitucional no país e revelou ter conversado com Mugabe por telefone. O líder zimbabuano teria dito que está sendo mantido em casa, mas que passa bem.

Já o governo do Reino Unido recomendou a todos os britânicos que estão na capital Harare que permaneçam em suas casas como medida de segurança. Seguindo a mesma linha, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, solicitou calma a todos os envolvidos no conflito e afirmou que está monitorando a situação.

Já os Estados Unidos, através de sua embaixada, expressaram preocupação com a intervenção militar e aconselharam os cidadãos americanos no Zimbábue a permanecerem em suas casas. A China, que é o principal parceiro comercial do Zimbábue, assegurou estar observando de perto toda a situação, e disse acreditar que o país africano conseguirá resolver seus problemas internos.

Fontes:
BBC - O que está acontecendo no Zimbábue e com Mugabe, o presidente mais velho do mundo
O Globo - EUA pedem que todos os líderes do Zimbábue tenham cautela
Folha de São Paulo - Militares detêm ditador do Zimbábue; África do Sul negocia com insurgentes

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