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CASO KHASHOGGI

Investigação aponta que corpo de jornalista foi dissolvido

Traços de ácido fluorídrico, que é capaz de dissolver um corpo, são encontrados na residência do cônsul saudita em Istambul, que teria sido usada para se livrar do corpo

Investigação aponta que corpo de jornalista foi dissolvido
Segundo assessor do governo turco, corpo de Khashoggi foi desmembrado antes de ser dissolvido (Foto: Wikimedia)

O corpo do jornalista saudita Jamal Khashoggi, morto no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, foi dissolvido em ácido e outros produtos químicos. A afirmação foi feita nesta quinta-feira, 8, por uma fonte de Procuradoria-Geral da Turquia à rede Al Jazeera.

Traços dos produtos químicos foram encontrados na casa do cônsul saudita Mohammed al-Otaibi, em Istambul, onde autoridades teriam se livrado do corpo. Inspetores turcos fizeram uma investigação na residência ainda no mês de outubro, após analisarem o consulado onde o jornalista desapareceu.

De acordo com Andrew Simmon, correspondente da Al Jazeera em Istambul, as amostras recolhidas na residência foram processadas e traços de produtos químicos foram encontrados. Ademais, amostras recolhidas no sistema de esgoto e drenagem ao redor do local também confirmaram o uso de ácido fluorídrico, cuja a alta acidez é capaz de dissolver um corpo.

No último dia 2 de novembro, Yasin Aktay, um assessor próximo ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, já havia afirmado que o corpo de Khashoggi, após desmembrado, teria sido dissolvido em ácido. Segundo o jornal turco Sabah, a Arábia Saudita enviou um químico e um especialista em toxicologia para Istambul para encobrirem as evidências do assassinato.

Até o dia 20 de outubro, a Arábia Saudita afirmava que Jamal Khashoggi havia saído do consulado depois de buscar os documentos que procurava. No entanto, no dia 20, o reino admitiu que o jornalista teria sido morto dentro do consulado.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, já prometeu, em inúmeras oportunidades, que o reino vai investigar e punir os responsáveis pela morte de Khashoggi. Segundo informações da Al Jazeera, com base no site de notícias Axios, 18 pessoas já foram presas e cinco demitidas por envolvimento no assassinato.

Entenda o caso

O jornalista saudita Jamal Khashoggi, que escrevia para o jornal americano Washington Post, desapareceu no último dia 2 de outubro. Khashoggi foi visto pela última vez, por câmeras de segurança, entrando no consulado da Arábia Saudita em Istambul para buscar um documento de divórcio.

Khashoggi era um grande conhecedor da família real saudita, e estava vivendo no estado americano da Virginia, desde o ano passado, quando Mohammed Bin Salman ascendeu ao posto de príncipe-herdeiro.

Desde que ascendeu, Mohammed Bin Salman tem mostrado pouca tolerância aos críticos e opositores do reino saudita. Por isso, segundo analistas internacionais, é possível crer que o príncipe herdeiro não era fã de Jamal Khashoggi.

 

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Fontes:
Al Jazeera-Traces of acid, chemicals found at Saudi consul general's home

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