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República Islâmica

Irã: A revolução terminou

O ímpeto revolucionário do Irã extinguiu-se

Irã: A revolução terminou
O acordo provisório de proibição de instalação de novas centrífugas representa uma pausa no programa nuclear (Reprodução/Alamy)

As mudanças no Irã são favoráveis à conclusão de um acordo nuclear ainda em novembro. Depois de 12 anos de discussões esporádicas, o Irã ainda insiste que irá usar a energia nuclear com fins pacíficos e não para fabricar uma bomba atômica, apesar da incredulidade geral. Se as rodadas de negociações não chegarem a um consenso, as armas atômicas irão aumentar rapidamente no Oriente Médio; ou, em uma tentativa de deter o Irã, os Estados Unidos ou Israel poderão fazer um ataque militar em sua infraestrutura de enriquecimento de urânio. As duas hipóteses teriam consequências desastrosas.

As divergências entre o Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, além da Alemanha (P5+1) ainda são expressivas, em especial, quanto às cláusulas de um acordo. Os dois lados discordam em relação ao número de centrífugas que o Irã poderá usar para enriquecer urânio, o período de vigência do acordo, e o prazo para suspensão das sanções impostas ao país.

O ímpeto revolucionário do Irã extinguiu-se. Com a crescente urbanização os iranianos enriqueceram e começaram a consumir produtos e tecnologia ocidentais. Mais da metade da população frequenta a universidade, um número três vezes maior do que há cinco anos. A presidência desastrosa de Mahmoud Ahmadinejad e a caótica Primavera Árabe desacreditaram os políticos radicais e deu novo impulso aos centristas mais realistas e objetivos. A sociedade religiosa tradicional dos mulás desapareceu. Enquanto o califado enraiza-se no Iraque e na Síria, o islamismo perdeu o vigor no Irã. A eleição em 2013 do presidente Hassan Rohani é sintomática de um país que quer promover uma abertura política.

O que a situação atual do Irã significa para um acordo nuclear? Uma atitude mais pragmática por parte das autoridades iranianas, em vez do desejo messiânico de destruir a ordem mundial. Portanto, se descortina nessa conjuntura atual uma possibilidade de diálogo.

Apesar do prazo final em novembro, o P5+1 precisa ter paciência. O acordo provisório de proibição de instalação de novas centrífugas representa uma pausa no programa nuclear. É preciso ter cuidado para não fazer exigências impossíveis, nem ceder às pressões do Irã por medo de que nunca haverá uma oportunidade melhor. Ao contrário, o P5+1 deve apresentar uma proposta factível durante as negociações, mas não será um desastre se não for possível concluí-las no prazo previsto.

Fontes:
The Economist- The revolution is over

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