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ACORDO NUCLEAR

Irã anuncia nova violação a acordo nuclear

País tornou a enriquecer urânio acima do limite estabelecido no pacto. É a segunda violação ao acordo em menos de duas semanas

Irã anuncia nova violação a acordo nuclear
Acordo nuclear do Irã segue em risco de ser extinto (Foto: Blondinrikard Fröberg/Flickr)

O Irã tornou a violar o acordo nuclear, estabelecido em 2015, no último domingo, 7. De acordo com o porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, Behrouz Kamalvandi, o país passou a enriquecer o urânio em 4,5%, acima do limite de 3,67% estabelecido no pacto.

Em 2018, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do acordo nuclear, o que começou a deteriorar o pacto. No início de julho, o Irã já havia ultrapassado o limite de urânio enriquecido.

Agora, a nova violação deve expor o acordo nuclear a um possível rompimento com outros países. Apesar dos Estados Unidos terem se retirado em 2018, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha continuam no pacto.

Os Estados Unidos estão aplicando novas sanções ao Irã com frequência, justificando as medidas como uma possível forma de frear a suposta escalada de um programa armamentista nuclear do país. Os iranianos, por sua vez, desmentem que estão investindo em um programa nuclear, afirmando que enriquecimento do urânio visa apenas fins pacíficos. 

A ultrapassagem do limite de enriquecimento do urânio, por exemplo, ainda está muito distante do necessário para a produção de armas nucleares. O acordo previa um limite de 3,67%, o Irã está enriquecendo o urânio em cerca de 4,5%. Porém, para a produção das armas, seriam necessários, pelo menos, 80% de enriquecimento.

Em mais de uma oportunidade, os iranianos já tinham informado que iriam violar partes do acordo nuclear. Essa seria uma forma do Irã de pressionar os países signatários do pacto a adotarem medidas para proteger Teerã das sanções impostas pelos Estados Unidos.

“Estamos totalmente preparados para enriquecer urânio em qualquer nível e em qualquer quantidade. […] Em poucas horas, o processo técnico se encerrará e o enriquecimento acima de 3,67% será iniciado”, anunciou Kamalvandi no último domingo, antes de violar o acordo.

O porta-voz do governo do Irã, Ali Rabiei, usou as redes sociais para garantir que o enriquecimento do urânio apenas prioriza as “prioridades econômicas” e tem fins pacíficos. Rabiei voltou a destacar que o Irã não planeja produzir armas nucleares.

Geng Shuang, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, classificou, nesta segunda-feira, 8, as sanções dos EUA como uma forma de “assédio moral unilateral” ao Irã. Para Shuang, as medidas americanas apenas estão criando mais problemas internacionais.

“O lado dos EUA não apenas se retirou unilateralmente do acordo, mas também criou mais e mais obstáculos para que o Irã e outras partes implementassem o acordo por meio de sanções unilaterais e jurisdições armadas há muito tempo”, destacou o porta-voz.

Enquanto a China se posicionou em defesa do Irã, os signatários europeus ainda não encontraram uma solução para o impasse. Por um lado, os países precisam obedecer as sanções impostas pelos EUA. Por outro, estão sendo pressionados pelo Irã a garantir a estabilidade do país frente às medidas americanas.

Em maio, o Irã deu um prazo de 60 dias para que os signatários do acordo tomassem medidas para proteger a economia do país. No entanto, devido à falta de avanço, os iranianos passaram a violar partes do pacto nuclear logo no início de julho.

Tanto a França, quanto a Alemanha expressaram preocupação com as violações iranianas do acordo nuclear. No entanto, os países ainda devem tentar reunir os signatários em uma mesa de reunião para decidir quais ações tomar. No último sábado, 6, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou ao chefe de Estado iraniano, Hassan Rohani, que tentará reunir autoridades dos países signatários na próxima segunda-feira, dia 15 de julho.

Ao contrário dos europeus, os Estados Unidos adotaram um tom mais duro para responder às violações iranianas. Pelas redes sociais, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou que as recentes medidas adotadas pelo Irã vão levar a “mais isolamento e sanções”. 

Ademais, Pompeo destacou que o armamento do Irã com armas nucleares “representaria um perigo ainda maior para o mundo”. Já Trump, sem detalhar possíveis ações contra iranianos, adotou um tom de ameaça, afirmando que é melhor os iranianos terem “cuidado”, pois o enriquecimento de urânio ocorreria por “uma razão” que “não é boa”.

Onda de tensões

Além do acordo nuclear, outro assunto tem gerado tensão entre o Irã, Estados Unidos, países árabes e europeus: os petroleiros. Em maio, países árabes denunciaram sabotagens contra navios petroleiros próximos ao estreito de Ormuz, uma das principais passagens de petróleo do mundo.

Mais tarde, os Estados Unidos passaram a acusar o Irã de atacar os petroleiros, o que os iranianos negam.

Mais recentemente, a apreensão de um petroleiro iraniano perto de Gibraltar irritou Teerã. A detenção foi levada a cabo por autoridades do Reino Unido. Na última quarta-feira, 3, o ministro da Defesa do Irã, Amir Hatami, disse que a apreensão não seria tolerada.

Autoridades britânicas justificam a apreensão citando sanções da União Europeia, já que o petróleo seria transportado para a Síria. Os iranianos, por sua vez, dizem que a detenção é ilegal, pois o Irã não integra o bloco econômico, segundo justificou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Javad Zarif, pelas redes sociais.

Além dos petroleiros, outro episódio que quase desencadeou uma violência armada dos Estados Unidos contra o Irã foi a derrubada de um drone americano em território iraniano. Trump chegou a ordenar um avanço militar contra o Irã, mas recuou em seguida.

Fontes:
The Washington Post-Iran surpasses uranium enrichment limit in first major breach of nuclear deal
The New York Times-Iran Says It Has Surpassed Critical Nuclear Enrichment Level in 2015 Deal
DW-Irã anuncia nova violação do acordo nuclear
The Guardian-Iran nuclear deal in jeopardy after latest enrichment breach

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