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AMEAÇA NUCLEAR

Irã buscou arma nuclear até 2009, diz relatório

O relatório da Agência Internacional de Energia Atômica é um sinal positivo para que as negociações do acordo nuclear com o Irã prossigam como previsto

Irã buscou arma nuclear até 2009, diz relatório
O Irã teve dificuldade em explicar qual seria o uso alternativo dos sistemas iniciadores multiponto (Foto: Pixabay)

O governo iraniano sempre negou este fato. Mas o novo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) referente às “possíveis dimensões militares” do programa nuclear do Irã no passado, de certa forma confirma o que todos suspeitavam. Ou seja, que até o final de 2003 o Irã realizou uma série de atividades coordenadas, como parte de um plano para desenvolver a tecnologia necessária à fabricação de uma arma nuclear. Algumas dessas atividades prolongaram-se até 2009, porém de uma forma mais fragmentada. E, de acordo com o relatório, esse trabalho terminou em 2009.

Apesar dessas revelações, o acordo para refrear o programa nuclear do Irã assinado em 14 julho deste ano provavelmente irá se manter ativo. A IAEA não se alonga muito na descrição da colaboração recebida nos termos do acordo bilateral com o Irã para elaborar o “roteiro” da investigação das atividades anteriores e atuais do programa nuclear iraniano.

No entanto, a leitura do documento de 16 páginas publicado em 2 de dezembro sugere, sem entrelinhas, que os iranianos, como previsível, encobriram dados e forneceram o mínimo possível de informações e acesso às usinas nucleares necessários para comprovar os fins pacíficos do programa nuclear do Irã. David Albright, um ex-inspetor de armas da ONU, comparou essa colaboração ao tipo de “cooperação” que se poderia esperar de um réu em um processo criminal.

Quando a AIEA examinou algumas tecnologias básicas para a fabricação de uma arma nuclear desenvolvidas pelo Irã, as autoridades iranianas alegaram, sem argumentos sólidos, que eram destinadas apenas a fins civis ou militares convencionais. Porém os detonadores e os sistemas iniciadores multiponto desenvolvidos pelo Irã são tecnologias usadas na fabricação da bomba atômica. A agência alegou que têm outras aplicações. Mas o Irã teve dificuldade em explicar qual seria o uso alternativo dos sistemas iniciadores multiponto.

A AIEA também está convencida que um extenso trabalho de modelagem computacional de um explosivo nuclear foi realizado antes de 2004 e entre 2005 e 2009. A afirmação do Irã que o trabalho referia-se à tese de doutorado de um pesquisador acentuou o clima de incredulidade. Entretanto, apesar do fracasso evidente do Irã em explicar com clareza seu programa nuclear, o relatório mencionou que as autoridades iranianas seguiram o roteiro segundo o cronograma previsto e que, portanto, era um sinal verde para que o acordo seguisse as diretrizes predeterminadas. Mas o lema “desconfie e verifique” é tão pertinente como antes.

 

Fontes:
The Economist-Iran comes (not very) clean on its nuclear past

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