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Irã e sanções: será que algum dia isso vai acabar?

Para iranianos comuns, a vida cotidiana vai de mal a pior

Irã e sanções: será que algum dia isso vai acabar?
Sanções fazem o preço da comida, roupas e eletrônicos dispararem no Irã (Reprodução/Alamy)

A última vez que frutas e frango foram produtos de luxo foi nos anos 80, quando o país estava em guerra contra o Iraque. Em geral, os iranianos acreditavam que a sua jovem república islâmica precisava de proteção contra Saddam Hussein e seus aliados ocidentais. Civis nas cidades grandes em geral aceitavam a escassez e outras privações com um estoicismo patriótico.

Duas décadas e meia depois, o Irã parece ser um país em guerra, embora armas não estejam sendo utilizadas. Os preços de comidas básicas, roupas e produtos eletrônicos dispararam como resultado de sanções internacionais e da desvalorização da cotação do país; o rial perdeu mais da metade de seu valor ao longo do ano passado. Ninguém acredita no número oficial de 24% de inflação anual. Funcionários públicos foram forçados a trabalhar em mais um expediente em empregos subalternos para compensar sua perda de poder de compra.

O Irã, contudo, é muito mais rico hoje do que nos anos de guerra dos anos 80. Pelo menos oficialmente o país obteve US$ 120 bilhões como receita da exploração de petróleo no ano financeiro que acabou em março de 2011. Parte desses ganhos foram destinados aos queridos subsídios do presidente Mahmoud Ahmadinejad voltados para a população de baixa renda, mas parte também foi desviada para os bolsos de sacerdotes importantes, ex-comandantes da Guarda Revolucionária e homens de negócios bem conectados. A Porsche afirma ter vendido mais carros em Teerã em 2011 do que em qualquer outra cidade do Oriente Médio.

Iranianos comuns estão sofrendo devido a políticas de confronto a respeito das quais eles não foram consultados. Em 2006, quando a presidência de George W. Bush e seus aliados europeus rascunharam a primeira batelada de medidas punitivas contra o Irã, falava-se de sanções “inteligentes” voltadas contra somente as atividades nucleares iranianas. Seis anos depois, a realidade é a de um povo exposto aos limites de sua resistência sob a sombra de outra ameaça: a de que a quase-guerra de hoje em dia se torne a guerra de fato de amanhã.

Fontes:
The Economist-When will it ever end?

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1 Opinião

  1. Eliahu Feldman disse:

    É lamentável que o povo sofra tanto, em tantos lugares do mundo por conta de dirigentes (mal) escolhidos(?).
    Olhando-se retrospectivamente para a historia do planeta nos últimos 115 anos, a impressão que se tem é de que não há ideologia, promessa, fé ou o que seja que resolva os problemas das sociedades humanas, pois o que se depreende é que as sociedades são um somatório de indivíduos que uma vez no poderrevertem ao estado de animais em busca de poder e dominaçào. Uma tristeza.

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