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Israel anuncia governo de coalizão

Líder do Kadima, principal partido de oposição, será o novo vice-primeiro-ministro

Israel anuncia governo de coalizão
Agora parceiros no governo, Binyamin Netanyahu e Shaul Mofaz apertam as mãos no Knesset (Ammar Awad/Reuters)

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Depois de anunciar a antecipação das eleições legislativas do país para o dia 4 de setembro, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu fez um acordo com o Kadima, principal partido de oposição de Israel, para formar um governo de união, numa manobra surpreendente que evitará eleições antecipadas e criará uma nova coalizão de maioria legislativa.

Segundo o acordo de três páginas, assinado por Netanyahu e o líder da oposição, Shaul Mofaz, principal nome do Kadima, se tornará o vice-primeiro-ministro, assumindo o lugar de Netanyahu quando ele estiver fora do país, e participando de sessões fechadas da equipe de governo que lidam com questões sociais, e problemas econômicos, diplomáticos, e de segurança.

“Há momentos na vida de uma nação nos quais ela tem que tomar decisões sérias”, afirmou Mofaz. “Acredito que chegou o momento de uma ampla mudança completa no Estado de Israel”. Curiosamente, logo antes de ser eleito como líder do Kadima, Mofaz afirmara que o governo do Likud, liderado por Netanyahu, “representava tudo o que havia de errado com Israel”, e que o Kadima “permaneceria na oposição”.

“O Estado de Israel precisa de estabilidade”, diz Netanyahu. “A coalizão é boa para a segurança, boa para a economia israelense, e boa para a sociedade israelense”, afirmou Netanyahu.

A esperança dos analistas é de que a chegada de Mofaz ao governo traga um novo impulso nas negociações com os palestinos, mas Harriett Sherwood, do Guardian, afirma que não se deve esperar muito nesse campo. Segundo ela, o restabelecimento das negociações já é a posição de Netanyahu, mas trata-se de uma política que ele não está muito ansioso para colocar em prática.

Yair Lapid, do partido centrista Yesh Atid, classificou a união como “um sinal da velha e detestável política israelense”, e previu que a “repugnante aliança política irá enterrar todos os seus participantes”. Shelly Yachimovich, líder do Partido Trabalhista proemteu liderar a oposição no ano que vem, e afirmou que a união é um “pacto de covardes”

Apesar das críticas, o professor de comunicação Gadi Wolfsfeld acredita que ambos os partidos saíram ganhando com a decisão. Para Netanyahu, a vitória está em consolidar seu poder no Knesset e garantir que seu governo não seja ameaçado pela oposição. Para Mofaz e o Kadima, a nova posição é um aumento no status – ainda que possa ter maculado sua credibilidade. Resta saber se Mofaz, que se manifestou contra as expansões dos assentamentos judaicos, conseguirá transmitir sua visão a Netanyahu. “Continuarei a discutir essas ideias com o primeiro-ministro”, afirmou o líder do Kadima. Toda a imprensa, no entanto, parece concordar que, o processo de paz entre israelenses e palestinos deverá ser muito mais abalado pelos eventos do dia 6 de novembro: data das eleições norte-americanas.

Fontes:
The New York Times - Leader of Israel Centrist Party Kadima Agrees to Join Netanyahu’s Coalition
The Guardian - How Likud-Kadima deal strengthens Netanyahu's hand

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