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RUMO À 3ª ELEIÇÃO EM MESES

Israel mergulha em incerteza política

Israel caminha para a 3ª eleição em um espaço de meses, ao mesmo tempo em que Netanyahu se torna o 1º líder em exercício do país indiciado por corrupção

Israel mergulha em incerteza política
Netanyahu corre contra o relógio para permanecer no poder (Foto: Twitter/Ryan Dawson)

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A nuvem de incerteza política que paira sobre Israel desde o início deste ano parece bem longe de se dissipar.

Preso em um entrave político desde que as eleições de setembro resultaram em empate técnico entre Benjamin Netanyahu e o centrista Benny Gantz (do partido Azul e Branco) , o país caminha para o terceiro pleito eleitoral em um espaço de meses – o primeiro ocorreu em abril.

Isso porque, na última quarta-feira, 20, Gantz comunicou ao presidente do país, Reuven Rivlin, que não conseguiu formar uma coalizão de governo. A tarefa havia sido repassada a Gantz em 21 de outubro, após Netanyahu fracassar na empreitada.

Agora, com o fracasso de Gantz, o país tem dois caminhos possíveis: Rivlin pode repassar a tarefa ao Knesset – o Parlamento israelense -, que pode apontar e aprovar qualquer líder com apoio suficiente. O segundo cenário, seria a convocação de novas eleições, o terceiro pleito consecutivo no país em poucos meses.     

Entenda o caso

Israel já passou por duas eleições somente neste ano. A primeira ocorreu em abril, quando Netanyahu, também em disputa com Gantz, conseguiu uma vitória apertada, conquistando 26,27% dos votos, contra 25,95% de Gantz.

A vitória garantiu a Netanyahu o título de líder mais com a gestão mais extensa do país. Ele se tornou recordista israelense em ocupar o cargo de primeiro-ministro, estando responsável pela posição pela quinta vez. Eleito pela primeira vez em 1996, Neanyahu ocupou o cargo até 1999. Depois, ele retornou ao poder em 2009 e nele se perpetua até os dias atuais.

Porém, após ser reeleito em abril, Netanyahu fracassou em formar uma coalizão de governo. Foi a primeira vez na história do país que um primeiro-ministro não conseguiu formar uma coalizão. Na ocasião, o fracasso se deu, em grande parte, por conta da decisão do líder do partido de extrema-direita Israel Nosso Lar (Yisrael Beiteinu) e ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, de retirar o apoio ao Likud – partido de Netanyahu.

Lieberman fez de sua principal bandeira uma reforma na lei do recrutamento militar. Ele almejava pôr fim à isenção de alistamento dos alunos de seminário judeus ultraortodoxos para, então, se aliar a Netanyahu.

Após o fracasso de Netanyahu, o Parlamento decidiu, em votação, não repassar a tarefa a Gantz, mas sim convocar novas eleições, ocorridas em 17 setembro.

Desta vez, o novo pleito resultou em um empate técnico entre Netanyahu e Gantz, com nenhum dos dois atingindo o mínimo de 61, dos 120 assentos do Knesset, necessários para formar um governo.

O presidente Rivlin, então, atribuiu novamente a Netanyahu a tarefa de formar uma coalizão de governo para encerrar o entrave político. Ele teve 28 dias para cumprir a tarefa, mas pela segunda vez não obteve êxito. Desta vez, Netanyahu culpou Gantz pelo fracasso, acusando o rival de promover um “bloqueio múltiplo” à possibilidade de um governo de união, com divisão partilhada. Gantz, no entanto, já havia informado que não pretende fazer aliança com um partido, cujo líder enfrenta acusações sérias de corrupção.

Após Netanyahu comunicar o fracasso, a missão foi repassada a Gantz, que teve o mesmo prazo, mas também fracassou.

Agora, os 120 membros do Parlamento, incluindo Gantz e Netanyahu, terão um prazo de 21 dias para reunir apoio de pelo menos 61 parlamentares. Aquele que lograr em obter esse apoio terá, em seguida, mais 14 dias para criar um, governo de coalizão. Se nenhum parlamentar for bem sucedido, o país terá sua terceira eleição, que pode ocorrer em março de 2020.

A corrida de Netanyahu contra o relógio

O tempo não está a favor de Netanyahu. O primeiro-ministro, que atualmente governa de forma interina, foi indiciado formalmente nesta quinta-feira, 21, por suborno fraude e quebra de confiança em três processos de corrupção.

Segundo noticiou o jornal israelense Haaretz, com isso, Netanyahu se torna o primeiro líder do país em exercício a ser indiciado.

Como primeiro-ministro, Netanyahu tem imunidade parlamentar, mas o entrave político coloca em xeque essa posição. Os processos enfrentados por Netanyahu são:

Caso 1000: envolve a suspeita de recebimento de bens de luxo, como charutos, champanhes e joias, dos empresários Arnon Milchan e James Packer, em troca de favores políticos. Somados, os bens recebidos totalizam US$ 264 mil.

Caso 2000: envolve um acordo entre Netanyahu e o jornal Yedioth Ahronoth. Segundo investigações da polícia, Netanyahu se comprometeu a restringir a circulação do maior rival da publicação, o jornal Israel Hayom, em troca de uma cobertura favorável ao seu governo.

Caso 4000: o mais grave contra o primeiro-ministro, envolve suspeitas de favorecimento do grupo de telefonia Bezeq, que controla o site Walla, um dos maiores de Israel, em troca de uma cobertura favorável a Netanyahu.S

Em outubro, em uma audiência de 11 horas, a defesa de Netanyahu tentou, sem sucesso, convencer o procurador-geral Avichai Mendelblit a retirar as acusações contra Netanyahu. Agora, o primeiro-ministro tem dois desafios pela frente: lutar para permanecer no poder, ao mesmo tempo que enfrenta os processos de corrupção que minam sua credibilidade levam ao isolamento político.

Netanyahu vem intensificando seu discurso, adotando um tom mais alarmista contra Gantz. Recentemente, em discurso em uma reunião de emergência convocada pelo Likud, ele acusou Gantz e seu colega de partido, Gabi Ashkenazi, de angariarem apoio de parlamentares que, segundo ele, “apoiam organizações terroristas” – uma referência à Liga Árabe, ala parlamentar composta por legendas árabes.

Ele afirmou que se Gantz conseguir formar um governo de coalizão com o apoio da Lista Árabe, seria um “ponto de ruptura na história” de Israel, que poderia “destruir o país”.

“Se um governo minoritário como este for formado, eles celebrarão em Teerã, Ramallah e Gaza, da mesma maneira que comemoram após cada ataque terrorista. Este seria um ataque nacional histórico ao Estado de Israel”, disse Netanyahu.

Após a declaração, o Azul e Branco divulgou uma nota, na qual afirmou que o primeiro-ministro interino advoga em causa própria. “Como sempre, Netanyahu está preocupado apenas com Netanyahu”, disse o partido.

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