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OPERAÇÃO DE RESGATE

Israel resgata membros dos Capacetes Brancos na Síria

Mais de 400 membros da organização voluntária de defesa civil da Síria que estavam acuados pelas forças do governo Assad foram resgatados e levados para a Jordânia

Israel resgata membros dos Capacetes Brancos na Síria
Os Capacetes Brancos são classificados como ‘terroristas’ pela Síria e pela Rússia (Foto: The White Helmets/Twitter)

Centenas de membros dos Capacetes Brancos – uma organização voluntária de defesa civil da Síria – foram resgatados por forças do exército israelense neste fim de semana. Os membros da organização e seus familiares se encontravam no sul da Síria, em uma região disputada, onde tropas do governo sírio lutam para expulsar rebeldes.

As forças de Israel conseguiram resgatar 422 membros da organização. Outros 300 ainda estão isolados na região. Os resgatados cruzaram da Síria para as para as Colinas de Golã, território ocupado por Israel, antes de serem enviados para a Jordânia. Eles serão mantidos na Jordânia temporariamente, enquanto ocorrem os trâmites para a transferência para outros países.

Até o momento, sabe-se que o Canadá deve receber até 250 pessoas, sendo 50 membros dos Capacetes Brancos e suas familiares. A Alemanha vai receber oito integrantes da organização e seus familiares. Apesar de ainda não ter quantificado, o Reino Unido também oferecerá asilo.

O resgate foi considerado um sucesso. As Forças de Defesa de Israel (IDF) usaram o Twitter para se pronunciar sobre o resgate, que classificaram como um “gesto humanitário excepcional”. De acordo com a IDF, os civis foram resgatados no sul da Síria por causa de “uma ameaça imediata às suas vidas”.

O governo sírio de Bashar al-Assad considera os Capacetes Brancos terroristas e agentes de governos do exterior, por isso reprime seus integrantes da mesma forma que reprime rebeldes.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que o resgate foi feito a pedido de governos de outros países. “Alguns dias atrás, o presidente Trump me contatou, assim como o primeiro-ministro canadense [Justin ] Trudeau e outros, e solicitou que ajudássemos a retirar centenas de Capacetes Brancos da Síria. Estas são pessoas que salvaram vidas e cujas vidas estavam em perigo”, escreveu Netanyahu nas redes sociais.

A Jordânia já tinha se pronunciado, afirmando que não permitiria nova entrada de refugiados sírios em seu território – o país já abriga cerca de 650 mil refugiados. No entanto, o país apoiou a ação e aceitou receber os membros dos Capacetes Brancos. Segundo Mohammad al-Kayed, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Jordânia, o governo jordaniano optou por acatar as solicitações internacionais, facilitando a entrada dos sírios resgatados.

O Departamento de Estado dos EUA, celebrou, através de um comunicado, o sucesso da operação de resgate. Ademais, também solicitou que o governo de Assad e da Rússia ponham fim à violência e “protejam todos os civis sírios, incluindo humanitários, como os Capacetes Brancos”.

“Apreciamos profundamente o papel de Israel em facilitar o trânsito dos Capacetes Brancos e seus familiares. Elogiamos a generosidade da Jordânia em apoiar seu processamento pelo ACNUR e o compromisso do Reino Unido, Canadá e Alemanha de fornecer aos Capacetes Brancos e suas famílias casas permanentes”, disse o comunicado.

O novo secretário de Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt, que substituiu Boris Johnson no cargo, usou as redes sociais para celebrar o resgate dos membros dos Capacetes Brancos. Hunt agradeceu o apoio da Jordânia e de Israel na operação. “Os WH [Capacetes Brancos, na sigla em inglês] são os mais corajosos dos bravos e em uma situação desesperadora este é pelo menos um raio de esperança”.

Presos na Síria

Abu Muhanad, um voluntário dos Capacetes Brancos, entrou em contato com a rede CNN para falar da atual situação na Síria. Segundo ele, 300 membros da organização continuam isolados, necessitando de resgate.

“Ajude-nos e salve nossas vidas. Somos 300 membros voluntários e pedimos aos países do Reino Unido, Canadá, Jordânia e EUA que continuem seus esforços para resgatar os membros remanescentes dos Capacetes Brancos”, disse o voluntário.

Os voluntários e familiares que não foram retirados da Síria não conseguiram chegar ao ponto de resgate por causa das estradas bloqueadas pelos conflitos internos do país. As forças de Assad continuam avançando no sul contra os rebeldes, enquanto os Capacetes Brancos ficam no meio do fogo cruzado e também são pressionados pela estigma de “terroristas”, como são classificados pelo governo.

“Salvar vidas é o maior crime de que somos acusados. Agora somos chamados de terroristas porque salvamos vidas”, afirmou Muhanad à CNN.

Reconhecimento internacional

Os Capacetes Brancos atuam em áreas da Síria fora do controle do governo, tentando salvar o máximo de vidas possíveis e se esforçando para diminuir o impacto humanitário provocado pela guerra da Síria. O documentário Os Capacetes Brancos, da Netflix, ganhou um Oscar em 2017. Este ano, o documentário Últimos Homem em Aleppo foi indicado ao Oscar, mas não ganhou.

Os Capacetes Brancos são constantemente desacreditados pelo governo sírio e pela Rússia, aliada de Assad. Em abril deste ano, por exemplo, a Rússia e a Síria acusaram membros da organização de encenarem um ataque químico. Apesar disso, eles contam com apoio e aporte financeiro da comunidade internacional.

 

Leia também: Voluntários arriscam a vida em meio à guerra na Síria

Fontes:
The Guardian-UK agrees to take in some White Helmets evacuated from Syria by Israel
The New York Times-Israel Aids Evacuation From Syria of Hundreds of ‘White Helmets’ and Families

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