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Conhecendo a Turquia 2

Istambul – informações gerais

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A cidade está 60% do lado europeu e 40% do lado asiático, atravessando o Bósforo através de duas pontes, além de serviço de barcas. No lado europeu, que é o único que visitamos, existe a cidade nova e a velha, que eles chamam de Constantinopla, preservando o antigo nome imperial. Essas duas estão separadas por um braço de mar chamado de “Corno de Ouro”, por ter um formato de chifre.

O tipo físico dos habitantes está mais para europeu do que asiático, não tem a morenice ou o nariz adunco dos árabes, com os quais os confundimos. O som da língua, para meus ouvidos não treinados, tem um tom suave que podia ser russo, ou de alguns países do Leste Europeu (nada a ver com os sons guturais de alemães, holandeses e outros). No hotel e nos bons restaurantes falam um bom inglês, muito melhor do que o mau inglês, ou a inexistência dele, em Moscou ou Berlim como já escrito aqui em colunas anteriores. Fiquei sabendo que nas escolas o aluno tem de escolher uma língua estrangeira entre três: inglês, francês e alemão. A maioria escolhe o inglês. A respeito de educação, uma outra constatação: nas várias vezes em que pedi para alguém, um garçom, o guia ou algum outro, para me escrever o endereço de algum lugar, ou o nome de um restaurante, a letra era impecável, parecia letra de professora de escola. Isso contrasta com a péssima letra das nossas classes menos favorecidas, e sub-educadas. As pessoas são simpáticas, prestativas, sempre prontas a ajudar um estrangeiro.

Tomando nosso guia local (que fala um bom português, “meu nome é Oguz, mas pode me chamar de Augusto”) como padrão típico, e somando ao que diz o livro do “Lonely Planet” que foi o único que consegui achar antes de sair do Brasil, são de um nacionalismo extremado. Odeiam católicos, ingleses e franceses, não confiam nos americanos de quem seu governo é um aliado, aparentemente não confiam em ninguém. Têm uma grande “dor-de-cotovelo” do extinto Império Otomano, que dominou grande parte do Mediterrâneo durante alguns séculos. O império começou a decair depois de ser derrotado frente a Viena, como já dissemos, em 1683, e foi desmanchado ao acabar a Primeira Guerra Mundial, em 1918.

Segundo nosso guia, o bom Augusto, em Istambul não há assaltos. Por assalto entenda-se o confronto entre a vítima e o criminoso armado, que exige a carteira ou as jóias. Mas há muito batedor de carteira. Todo cuidado é pouco, especialmente nos locais turísticos.

A comida nos restaurantes é muito boa. Carnes de excelente qualidade, sejam de boi, carneiro, ou outras, e também peixes e camarões. A cozinha é diferente da nossa, mas não tanto que cause estranheza. Eu que não sou dado a experimentar pratos exóticos provei de tudo e gostei. As porções são grandes, de modo geral sobra comida, um casal pode se dar bem dividindo entre os dois uma entrada e um prato principal. Um lembrete para mim mesmo e para quem gosta de vinhos: os vinhos importados são muito caros, e pode-se tomar os vinhos turcos. Os de topo de linha são tão bons quanto um vinho médio francês, ou os chilenos e argentinos que apreciamos no Brasil. Um bom produtor: Kavaklidere (ou algo parecido), especialmente o tipo “Selection”. Na Capadócia, o local Kocabag é bom. E o Sarafin, que o sommelier de um restaurante nos disse ser o melhor vinho do país é realmente ótimo, mas bem mais caro que os outros, embora mais barato que um francês.

Banho turco

Existe na cidade velha um banho turco que funciona há vários séculos. Não tive coragem de ir, fiquei com dúvidas sobre segurança e higiene. Mas fui no de meu hotel, moderno, pareceu mais confiável. É muito diferente do que eu imaginava, ou do que chamamos no Brasil de banho turco. É com hora marcada, sessões de uma hora. Primeiramente você fica 5 minutos num local em que opta por sauna seca ou a vapor, como preferir, para se aclimatar ao calor. Até aí os recintos são públicos, não tinha mais ninguém por acaso mas poderia ter. Daí um atendente vem buscar e leva para um outro recinto, este privativo, em que você recebe instruções da massagista para tirar o roupão ou calção que estivesse vestindo e se embrulhar numa toalha.

Em seguida você deita de barriga para baixo numa mesa de mármore, forrada com uma toalha. E começa o ritual que dura uns 50 minutos. Usando jarras de talvez uns 5 litros a massagista banha você primeiro com água morna, jogada com uma certa violência, depois com água bem quente. Em seguida começa uma massagem. Era tão relaxante que fechei os olhos e não vi detalhe algum, mas suponho que ela vista uma luva com tecido grosso, como uma esponja, e massageia de vagar, longamente, todo o corpo. De vez em quando mais um jorro de água. Daí vem uma massagem de espuma, de algum lugar ela tira quantidades de espuma que cobrem todo o corpo.

Lá pela metade ela indica, meio em inglês e meio por sinais, para a gente ficar de barriga para cima. Novamente a massagem, os jorros de água, no fim uma micro-massagem no rosto, ponto a ponto, testa, nariz, queixo, trazendo um incrível relaxamento.

De modo geral saímos de Istambul muito bem impressionados.www.guiatimeout.estadao.com.br Cidade limpa, moderna, com gente educada e simpática. O único senão é o trânsito caótico e a falta de respeito dos motoristas pelos pedestres. Avançam na faixa de pedestre em pleno sinal vermelho, os pedestres que se cuidem. Não fiquei sabendo a população exata, Augusto disse 14 milhões, o Lonely Planet (que aos poucos percebi que não é confiável) 16 milhões.

Em tempo: o parágrafo acima foi escrito antes de irmos para o aeroporto embarcar para a Capadócia. O aeroporto nos fez lembrar que estávamos no terceiro mundo. Um caos, nada funciona, banheiros sujos, infelizmente no tempo de Ataturk, o modernizador, não existiam aeroportos por isso ele não pode dar um jeito neles …

Leia toda a série Conhecendo a Turquia:

Conhecendo a Turquia

Istambul – Os passeios

Capadócia

Turquia, laicismo e Islã

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7 Opiniões

  1. Benedito Lacerda disse:

    Como esse Fernando passeia, hein? E vocês ainda pagam ele para isso? Se precisarem mais alguém para sair passeando por aí, estou às ordens.

  2. Camilo Terras disse:

    Estou gostando, quero mais!

  3. Burak Ersan-Turqia disse:

    Matéria boa e muito informativa. Sendo um Turco, morando em Istanbul concordo quase com todos. Turqia é um país lindo cheio de historia e beleza natural. E quase tudo dos preconceitos sobre esse povo e pais lindo não é de verdade. Tem que visitar para ver e sentir famosa hospitalidade Turca.

  4. joão gabriel disse:

    a letra ruim dos brasileiros não´ocorre apenas nas classes desfavorecidas, mas na favorecidas também.

  5. fabiana disse:

    Adorei a matéria, aumentou aindamais a vontade de ir conhecer. Parece que você como homem eles lhe trtaram muito bem. Mas em relação a mulher estrangeira, como deve se vestir,

  6. Carlos Eduardo disse:

    Fernando Magalhães
    parabéns pelo texto, dá para viajar por ele.

    poderia nos fornecer como localizar o "Augusto" seu guia em Istambul.
    agradeço meu tel 011-31410907-7666-6757
    carlos eduardo

  7. Ariane disse:

    Olá!
    Irei para Istambul em Junho. Você possui o email de contato do seu guia que fala português?
    Agradeço!

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