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POLÍTICA

Itália se prepara para as eleições

Novas eleições gerais vão ocorrer em meio a uma fragmentação partidária preocupante para o futuro do país

Itália se prepara para as eleições
Diante de uma esquerda dividida, muitos eleitores apoiam uma aliança conservadora um pouco mais unida (Foto: Pixabay)

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, deu início em 28 de dezembro à maratona da campanha eleitoral, que deixará mais uma vez os mercados preocupados com a estabilidade da Europa e do euro. Após uma reunião com o primeiro-ministro, Paolo Gentiloni, o presidente dissolveu o parlamento e convocou as eleições gerais para 4 de março.

A dissolução eliminou um dos projetos de lei mais polêmicos apresentados nas últimas eleições gerais em 2013, segundo o qual os filhos de imigrantes nascidos na Itália teriam automaticamente cidadania italiana.

A aprovação do projeto de lei teria ajudado os filhos de imigrantes italianos a se sentirem acolhidos no país que consideram sua pátria. Mas a ideia que a italianità é uma herança genética está enraizada na mentalidade do povo italiano. Uma pesquisa de opinião realizada em dezembro indicou que menos da metade dos entrevistados apoiava o projeto de lei.

Gentiloni prometeu reintroduzir a discussão depois da eleição do novo parlamento. Mas a fragmentação partidária pode alterar profundamente a composição do novo governo. O primeiro-ministro lidera uma ampla coalizão na qual o Partido Democrático (PD) de centro-esquerda domina o cenário político. Porém, o PD teve uma queda de 25% nas pesquisas de opinião e enfrentará a disputa pelo voto dos eleitores de esquerda com o novo partido Livre e Igual liderado pelo antigo presidente do Senado e um promotor público siciliano conhecido por seu firme combate à Máfia, Pietro Grasso.

Diante de uma esquerda dividida, muitos eleitores apoiam uma aliança conservadora um pouco mais unida. No entanto, a luta pela liderança política concentra-se entre Matteo Salvini do partido de extrema-direita, Liga Norte, e o incansável Silvio Berlusconi, fundador do partido conservador Forza Italia. Berlusconi não pode se candidatar a um cargo político em razão de ter sido condenado à prisão por fraude fiscal. Mas a Forza Italia está à frente da Liga Norte nas pesquisas de intenção de votos.

Ao conversar com a imprensa antes do encontro com o presidente, Gentiloni procurou dissipar os temores de um vácuo de poder. “O governo continua presente na vida política italiana”, disse. Entretanto, o que mais preocupa os mercados é o perigo de um governo fraco após a eleição. A dívida pública da Itália, que atingiu 132% do PIB no final de 2016, diminuiu um pouco em termos relativos. Mas continua a ser uma ameaça à credibilidade da moeda e pode aumentar de novo com um governo indeciso ou irresponsável.

De acordo com analistas, o resultado mais provável é a eleição de um parlamento sem maioria partidária. A situação é ainda mais complexa devido à liderança do partido independente Movimento 5 Estrelas (M5S), com cerca de 30% da intenção de votos. Ao longo do ano, o M5S fundado pelo comediante Beppe Grillo recusou-se a fazer alianças com os principais partidos do país.

Mas no início de dezembro, o primeiro candidato ministerial do M5S, Luigi Di Maio, disse que se o partido vencesse a eleição, mas não tivesse votos suficientes para governar sozinho, estaria disposto a fazer coalizões com partidos que concordassem com seu programa de governo.

Porém, a inexperiência política do M5S não atrai os investimentos. Por outro lado, a solução mais provável de uma ampla coalizão liderada por Gentiloni também é preocupante para o futuro do país. Sem um acordo referente a questões como privatização, liberalização da economia e política fiscal, a coalizão dificilmente conseguirá fazer reformas para impulsionar o crescimento econômico e a competitividade da Itália.

 

 

 

 

 

Fontes:
The Economist-Italy heads for fresh elections

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