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EM MEIO A DESAFIOS

Iván Duque assume presidência da Colômbia

Duque assume em meio à incerteza em relação ao acordo de paz com a Farc, salto no cultivo de coca na Colômbia e crise com a Venezuela

Iván Duque assume presidência da Colômbia
Duque recebeu de Uribe a missão de recuperar o prestígio da direita no país (Foto: Twitter/Iván Duque)

Iván Duque assumiu nesta terça-feira, 7, a presidência da Colômbia. Ex-senador e aliado do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (2002 – 2010), Duque toma posse já com uma gama de desafios pela frente.

A eleição de Duque contou com um forte apoio de Uribe, o líder mais popular da Colômbia. Uribe deu a Duque a missão de recuperar o prestígio da direita no país. No entanto, o apoio do ex-presidente pode se tornar um problema. A oposição já classifica Duque como uma “marionete” de Uribe e alerta para a forte influência que o ex-presidente terá no governo atual.

Um dos desafios será a questão do acordo de paz com a Farc, ex-grupo guerrilheiro que se transformou em partido político após uma intensa negociação de paz com o governo de centro-direita de Juan Manuel Santos. Considerado o maior legado do governo Santos, o acordo foi firmado em novembro de 2016, encerrando meio século de conflito.

Porém, a ascensão de Duque lança uma nuvem de incerteza no pacto. Durante as negociações de paz, a direita colombiana, liderada por Uribe, se posicionou veementemente contra o acordo com a Farc. E em sua campanha presidencial, Duque se comprometeu a fazer o que chama de “correções” no acordo, algo que desperta receio em parte da população colombiana e na comunidade internacional.

Um dos pontos cruciais apontados por Duque é o aumento de dissidentes das Farc. O líder do grupo, Rodrigo Londoño, chegou a afirmar em uma ocasião que o guerrilheiros que se desarmaram por conta do pacto foram “abandonados” pelo governo Santos. Para ele, faltam garantias de segurança e clareza nos processo judiciais enfrentados pelos ex-guerrilheiros, além de haver incerteza em relação à reincorporação à vida civil. Tal fato levou o número de grupos dissidentes das Farc saltar nos últimos meses.

O agora ex-presidente Santos fez um apelo aos seus sucessores pela defesa do acordo. “Cuidem da paz que está nascendo! Defendam-na! Lutem por ela! Porque é o bem mais valioso que qualquer nação pode ter”, disse Santos, em um discurso no Congresso no dia 20 de julho.

Outro desafio para Duque é o aumento no cultivo de coca na Colômbia, que vem batendo recordes e já atingiu 209.000 hectares, e a campanha de assassinatos contra ativistas sociais e de direitos humanos, segundo aponta a AFP.

Relação com a Venezuela

A Venezuela também será uma questão tortuosa para Duque. Nos últimos anos, a relação do país com a Colômbia se acirrou e se encontra em um dos piores momentos. A intensa crise na Venezuela levou um grande número de venezuelanos a migrar para a Colômbia, que recebe um fluxo de refugiados muito mais alto que o Brasil.

Com base em projeções do governo colombiano, a ONU aponta que “o número de venezuelanos na Colômbia aumentou de 300 mil em meados de 2017 para 550 mil ao final do ano passado. Desses, mais de 65% estavam irregularmente no país“. Tal fato levou a Venezuela para o centro do debate político em Bogotá.

Outro ponto é o temperamento do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que repetidamente afirma sofrer perseguição do governo colombiano, que, segundo ele, quer desestabilizar seu país.

Em agosto de 2015, por exemplo, os dois países, que compartilham uma fronteira de 2.219 quilômetros, se envolveram em um impasse quando Maduro ordenou o fechamento da fronteira em 13 municípios venezuelanos que fazem fronteira com a Colômbia. Segundo Maduro, a medida se deu para proteger a população venezuelana e avançar no combate aos crimes de paramilitares e contrabandistas colombianos que estariam atuando na região. A crise só foi solucionada em setembro, mediada pelo Equador, após um encontro entre Maduro e Santos, em Quito.

No entanto, a tensão entre os governos não cessou, e o mais recente impasse teve início no último sábado, 4, quando explosões foram ouvidas no momento em que Maduro discursava num desfile militar no 81º aniversário da Guarda Nacional da Venezuela. Segundo o governo venezuelano, as explosões foram geradas por drones munidos de explosivos C4. O governo afirma se tratar de um atentado contra a vida de Maduro, mas a falta de imagens e transparência em relação ao fato levantam dúvidas sobre a veracidade do atentado.

Maduro culpou os Estados Unidos e a Colômbia pelo ataque, que vem sendo chamado por ele de “magnicídio” (assassinato de pessoa ilustre). Na última segunda-feira, 6, Maduro postou em sua conta no Twitter que o governo venezuelano “está trabalhando na investigação do magnicídio” e que nas próximas horas ele estará “apresentando provas do vínculo que a oligarquia colombiana tem com os atos ocorridos na Av. Bolívar”. Seis pessoas acusadas de ligação com o ataque foram presas, mas, segundo Maduro, elas são o corpo, não a cabeça do atentado.

Tanto os EUA quanto a Colômbia negaram envolvimento no episódio. “Posso dizer, inequivocamente, que não há participação do governo dos EUA neste caso”, afirmou o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton. Já Santos respondeu num tom mais debochado, afirmando que “no sábado estava fazendo coisas mais importantes: batizando minha neta”.

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