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EM MEIO À TENSÃO

Jeanine Áñez se declara presidente da Bolívia

Segunda vice-presidente do Senado, a opositora se autoproclamou presidente na última terça-feira, 12, e prometeu convocar eleições o mais rápido possível

Jeanine Áñez se declara presidente da Bolívia
Com a bíblia em mãos, Áñez fez um discurso na sede do Executivo (Foto: Youtube)

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A Bolívia está sob novo comando. Na noite da última terça-feira, 12, a senadora de oposição Jeanine Áñez se autoproclamou presidente do país, em uma sessão da Assembleia Legislativa Plurinacional – nome oficial do Congresso boliviano, que reúne a Câmara e o Senado.

A medida foi tomada após a convocação de sessões para debater a sucessão do ex-presidente Evo Morales na Câmara e no Senado. Em nenhuma das duas sessões a oposição conseguiu reunir quórum suficiente para iniciar o debate.

A bancada do partido Movimento para o Socialismo (MAS), de Evo Morales, que é majoritária no Congresso, não compareceu. Os parlamentares da legenda expressaram intenção de participar das sessões, mas argumentaram falta de condições para se deslocar até a Assembleia, por conta de bloqueios em vias promovidos por opositores.

O Senado não conseguiu reunir o mínimo de 19 dos 36 senadores para iniciar a sessão. Após esperar uma hora, Áñez se autoproclamou presidente.

“Assumo de imediato a Presidência do Estado e me comprometo a tomar todas as medidas necessárias para pacificar o país. Queremos convocar eleições o mais rápido possível, com autoridades probas, de mérito, de capacidade, que sejam independentes”, declarou a parlamentar, sendo reconhecida pouco depois pelo Tribunal Constitucional do país.

Em seguida, Áñez deixou o Senado e seguiu para o Palácio Quemado – sede do Executivo boliviano. Ela vestiu a faixa presidencial, se dirigiu até o balcão do prédio que dá para a parte externa e, com a bíblia em mãos, fez um discurso para apoiadores que estavam em frente ao local.

“Agradeço aos que nos acompanharam, o movimento cívico, os irmãos indígenas, a Igreja, amamos a Bolívia. Quero agradecer a essa juventude que saiu às ruas para mostrar que sim, é possível. Queria pedir um minuto de silêncio pelos que morreram nas últimas semanas”, disse Áñez, que agora se identifica como “presidenta” e foi reconhecida pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, pelo autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, e pelo ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Dominc Raab.

Próximo dali, militares usavam bombas de gás lacrimogêneo para dispersar grupos de apoiadores de Evo Morales, que gritavam “golpe”.

Com a ascensão de Áñez à presidência, a expectativa é que a Bolívia deixe a situação de vacância de poder em que se encontrava. O país estava sem uma liderança desde que Morales renunciou à presidência, bem como os dois líderes na linha sucessória, os presidentes da Câmara e do Senado. Agora, a expectativa é que ela cumpra sua promessa e convoque eleições o mais rápido possível.

Quem é Jeanine Áñez

Formada em Direito, Jeanine Áñez tem 52 anos e atuou como apresentadora e diretora da emissora de TV Totalvision, um canal de sua cidade natal Trinidad.

Ela entrou na vida política por acaso, em 2006, quando, por conta de sua fama, foi convidada pelo partido conservador Podemos para integrar a lista de candidatos para a Assembleia Constituinte, responsável por elaborar a nova Constituição do país. Ela entrou para compor a cota de parlamentares reservada para mulheres e exerceu a função até 2008, um ano antes da nova Constituição ser aprovada em referendo.

Em 2010, Áñez se candidatou a senadora e foi eleita, se tornando vice-presidente do Senado posteriormente.

A reação de Evo Morales

Logo após Áñez se confirmada como presidente pelo Tribunal Constitucional, Morales publicou em suas redes sociais, uma mensagem na qual afirmou que “o golpe está consumado”.

“Está consumado o golpe mais ardiloso e nefasto da história. Uma senadora de direita golpista se autoproclama presidente do Senado e logo presidente interina da Bolívia sem quórum legislativo, rodeada de um grupo de cúmplices e apoiada pelas forças armadas e polícia que reprimem o povo”, escreveu Morales.

O ex-presidente se encontra em asilo político no México, onde desembarcou na tarde da última terça-feira, 12.

Fontes:
BBC-Bolivia crisis: Jeanine Áñez declares herself interim president

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