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EX-VICE DE OBAMA

Joe Biden lança pré-candidatura à presidência dos EUA

Ex-vice de Obama vai disputar as primárias pelo partido Democrata no intuito de concorrer à Casa Branca com Donald Trump em 2020

Joe Biden lança pré-candidatura à presidência dos EUA
‘Estamos em uma batalha pela alma desta nação’, disse Biden ao anunciar sua pré-candidatura (Foto: Twitter/Joe Biden)

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden lançou nesta quinta-feira, 25, sua pré-candidatura à presidência pelo partido Democrata nas eleições de 2020.

Biden anunciou sua pré-candidatura através de um vídeo postado em sua conta oficial no Twitter, no qual alerta que os valores americanos, a posição dos EUA no mundo e a própria democracia no país estão em risco.

“Estamos em uma batalha pela alma desta nação. Se dermos a Donald Trump mais quatro anos na Casa Branca, ele irá para sempre e fundamentalmente alterar o caráter desta nação. E eu não posso observar isso parado. Os valores fundamentais desta nação, nossa posição no mundo, nossa própria democracia – tudo aquilo que fez dos EUA os EUA – estão em jogo. É por isso que, hoje, estou anunciando minha candidatura à presidência dos Estados Unidos”, disse Biden.

Com o anúncio, Biden engrossa a extensa lista de pré-candidatos do partido Democrata, que inclui os senadores Bernie Sanders (de Vermont), Elizabeth Warren (Massachusetts), Kamala Harris (Califórnia), Kirsten Gillibrand (Nova York) e Cory Booker (Nova Jersey), além da parlamentar Tulsi Gabbard (Havaí) e Julián Castro (ex-prefeito da cidade texana de San Antonio e ex-secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Obama).

Esta será a terceira vez que Biden disputa a candidatura pelo partido Democrata. Ele já disputou a vaga em 1988, quando o escolhido dos democratas foi Michael Dukakis, e em 2008, quando o escolhido foi Obama. Em 2016, ele cogitou se lançar à disputa novamente, contra Hillary Clinton, mas desistiu da empreitada. Atualmente, ele afirma se lamentar todos os dias por ter tomado a decisão, afirmando que teria mais chances de vencer Trump, a quem constantemente acusa de “jogar no lixo os valores americanos”.

Nesta quinta-feira, Trump se manifestou sobre o anúncio da pré-candidatura de Biden por meio de uma postagem no Twitter, na qual se referiu a Biden como “Sleepy Joe” (algo como João Dorminhoco, em tradução livre).

“Bem-vindo à disputa, João Dorminhoco. Só espero que tenha a inteligência, há muito tempo em dúvida, para enfrentar uma campanha primária bem-sucedida. Será suja – você estará lidando com pessoas que realmente têm algumas ideias muito doentias e dementes. Mas, se for bem-sucedido, te vejo na linha de partida!”, disse o presidente americano.

Ex-vice de Obama, Joe Biden tem a seu favor uma ampla experiência na política americana, além da simpatia de Obama, um nome ainda forte no cenário político dos EUA. Por meio de seu porta-voz, o ex-presidente exaltou a pré-candidatura de Biden. “O ex-presidente Obama há muito diz que escolher Biden como seu vice em 2008 foi uma de suas melhores decisões”, disse o porta-voz, acrescentando que ambos “continuam próximos”.

Se vencer a disputa pela candidatura Democrata, Biden, de 76 anos, será a pessoa mais velha a disputar a presidência na história americana. Durante seu tempo no governo Obama, Biden ficou conhecido por sua capacidade de diálogo com parlamentares do partido Republicano. Ele também é uma figura popular entre o empresariado americano, setor cujo apoio é atualmente crucial para qualquer candidato que deseje vencer Trump na disputa.

Dentre os motivos que levaram Obama a escolher Biden como vice está a sua campanha pelos direitos da comunidade gay – tendo apoiado o casamento entre pessoas do mesmo sexo antes mesmo do tema vir à tona na gestão de Obama –, sua atuação em prol da expansão dos direitos trabalhistas nos EUA e de mais restrições ao porte de armas. Ele também liderou reformas contra agressões sexuais em campus universitários e, como senador, foi autor da Lei de Combate à Violência Contra Mulher, considerada um marco nos direitos femininos.

Em contraponto, Biden enfrenta acusações de mulheres que afirmaram não se sentir confortável em interações físicas com o parlamentar. Biden não é acusado de assédio ou abuso sexual, mas mulheres acusam o pré-candidato de violar seu espaço pessoal. Tais alegações levantam a dúvida se Biden será um candidato viável na era do #MeToo – movimento criado para denunciar crimes sexuais na indústria cinematográfica americana, que ganhou popularidade nos últimos anos e se estendeu a outros setores.

A controvérsia teve início após a ex-parlamentar pelo estado de Nevada Lucy Flores acusar em um artigo de opinião que, durante um evento político em 2014, Biden colocou a mão em seu ombro, se inclinou para cheirar seu cabelo e deu um beijo no lado de sua testa. Após a publicação do artigo, outras mulheres divulgaram histórias similares, o que levou Biden a postar um vídeo afirmando que ajustaria seu comportamento.

“As normas sociais estão mudando. Eu compreendo isso, e escuto o que estas mulheres estão dizendo. Política, para mim, sempre foi sobre fazer conexões, mas serei mais atento ao espaço pessoal no futuro. É minha responsabilidade e irei cumpri-la”, disse Biden.

Dias após o anúncio, Biden fez referência às queixas em um comício no qual, em duas ocasiões, em tom de brincadeira, pediu permissão a pessoas no palco para abraçá-las.

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