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PROTESTO

Jogadores de futebol americano se unem contra Donald Trump

Jogadores da National Football League protestam após discurso polêmico de Donald Trump

Jogadores de futebol americano se unem contra Donald Trump
Trump gosta de semear a discórdia, sem pensar nas consequências (Fonte: Reprodução/KAL/The Economist)

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Quando Tommie Smith e John Carlos inclinaram as cabeças e levantaram as mãos vestidas com luvas pretas durante uma cerimônia de entrega de medalhas nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968, eles emocionaram o mundo. Seis meses antes Martin Luther King fora assassinado e os violentos distúrbios raciais haviam se espalhado pelas cidades dos Estados Unidos. O relato posterior de Smith deu ainda mais ênfase ao gesto dos dois atletas negros: “Na pista você é Tommie Smith, o homem mais rápido do mundo, mas nos vestiários é apenas um negro desprezível.” Esse contraste entre a glória nas áreas esportivas e a discriminação nos bastidores, provocou protestos de grandes atletas americanos negros, de Muhammad Ali a Kareem Abdul-Jabbar.

No ano passado Colin Kaepernick, um jogador do San Francisco 49ers, recusou-se a ficar de pé durante a execução do hino nacional, em protesto contra a violência policial contra negros. Por fim, o convenceram a se ajoelhar em homenagem aos veteranos de guerra, mas seu protesto não teve o mesmo impacto. Pelo fato de ser filho adotivo de um casal branco de classe média e de ter ganhado US$30 milhões nas três temporadas anteriores, para muitos sua atitude não passou de um exibicionismo de uma celebridade.

Embora tenha recebido apoio de outros jogadores negros, a demonstração de revolta de Kaepernick caiu no esquecimento. Até o dia 22 de setembro, com o discurso polêmico do presidente Donald Trump no Alabama. “Os donos dos clubes da National Football League deveriam demitir os jogadores que fazem protestos durante a execução do hino nacional e, assim, desrespeitam a bandeira dos EUA. Levem este *** para fora do campo. Está demitido!”

Seu discurso teve um motivo óbvio. Confrontado por índices crescentes de desaprovação, mesmo entre seus principais seguidores, sobretudo em estados republicanos como o Alabama, ele procurou uni-los em torno de um inimigo comum. A maioria dos jogadores da National Football League (NFL) é negra. A maioria dos fãs da NFL é branca e quase todos os donos de clubes são brancos, conservadores, e dão uma grande importância à execução do hino nacional em eventos esportivos.

É impressionante como o presidente dos Estados Unidos aborda um ponto nevrálgico da sociedade americana, como a discriminação racial, de uma maneira tão cínica. “Ele não se importa…” disse LeBron James, um jogador de basquete. Mas o discurso polêmico no Alabama não é uma novidade. Trump gosta de semear a discórdia, sem pensar nas consequências.

A reação da NFL foi rápida. Em 25 de setembro, jogadores do Baltimore Ravens e do Jacksonville Jaguars ajoelharam-se durante a execução do hino nacional em sinal de protesto, enquanto colegas de equipe, brancos e negros, treinadores e donos dos clubes ficaram ao lado deles, com uma mão em seus ombros, ou de mãos dadas, em uma clara manifestação de apoio e de reafirmação dos direitos da Primeira Emenda da Constituição. Outros jogadores da NFL também se ajoelharam a fim de chamar a atenção para os problemas sociais e raciais do país.

Ainda assim, as pesquisas de opinião indicaram que a maioria dos fãs da NFL se apõe aos protestos durante a execução do hino nacional. Muitos também concordam com o presidente Trump que os jogadores desrespeitosos devem ser demitidos.

Fontes:
The Economist - Racial progress and the NFL

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