Início » Internacional » Johnson tenta antecipar eleições pela segunda vez
REINO UNIDO

Johnson tenta antecipar eleições pela segunda vez

Medida faz parte do empenho do primeiro-ministro britânico para forçar um Brexit sem acordo. Porém, parlamentares afirmam que a proposta será barrada

Johnson tenta antecipar eleições pela segunda vez
Boris Johnson tem enfrentado forte oposição a um Brexit sem acordo (Foto: Number 10/Flickr)

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, segue empenhando todos seus esforços em um possível Brexit – o processo de separação entre Reino Unido e União Europeia – sem acordo.

Nesta segunda-feira, 9, segundo confirmou o porta-voz do primeiro-ministro, Johnson deve propor a antecipação das eleições parlamentares.

A proposta, porém, deve ser rejeitada mais uma vez. A oposição a Johnson tem se fortalecido no Parlamento britânico, e os opositores já confirmaram que vão rejeitar qualquer tentativa de eleições antecipadas enquanto um pacto para o Brexit não for acordado. A oposição é contrária a um Brexit sem acordo.

Ao fim desta segunda-feira, será consolidada também a suspensão do Parlamento por cinco semanas, que foi aprovada pela Rainha Elizabeth II no fim do último mês de agosto. Os parlamentares só retornarão às suas funções no próximo dia 14 de outubro, restando pouco tempo até a data-limite do Brexit, previsto para o dia 31 de outubro.

Além da oposição, Johnson tem encontrado dificuldades internas em seu partido, o Partido Conservador. No fim de agosto, dois membros influentes da legenda deixaram o cargo. Já nos últimos sete dias, o primeiro-ministro expulsou 21 parlamentares rebeldes. Ele também sofreu baixas pessoais ao ver seu irmão, Bo Johnson, deixar o governo por estar dividido entre lealdade familiar e o “interesse nacional”.

No último sábado, 7, Johnson viu a sua ministra do Trabalho, Amber Rudd, renunciar ao cargo. Pelas redes sociais, Rudd explicou que não suportava ver “conservadores bons, leais e moderados” sendo expulsos do partido. De acordo com Rudd, Johnson estava se dedicando quase que totalmente a um Brexit sem acordo, não empregando esforços o suficiente para buscar um pacto com a União Europeia.

A renúncia de Rudd fez com que o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, se manifestasse, garantindo que os franceses seriam contrários a um novo adiamento do prazo dado para o Brexit devido às “circunstâncias atuais”. “Não vamos passar por essa situação a cada três meses”, destacou Le Drian.

No entanto, Boris Johnson deve ser obrigado a pedir uma nova extensão do prazo à União Europeia. Isso porque deve ser transformado em lei, nesta segunda-feira, um projeto que obriga o primeiro-ministro a pedir um novo adiamento ao bloco econômico, caso um acordo não seja firmado até o próximo dia 19 de outubro. Johnson, que é contra pedir a extensão, já afirmou que preferia estar “morto em uma vala” a solicitar mais prazo.

Leia também: Reino Unido enfrentará falta de alimentos, remédio e combustível em Brexit sem acordo

Fontes:
Reuters-Premiê britânico tenta novamente convocar eleição; lei para barrar Brexit sem acordo avança
DW-França diz "não" a possível adiamento do Brexit

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *