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LIBERDADE DE IMPRENSA

Jornais australianos censuram capa em protesto contra o governo

Medida é tomada em protesto contra invasão policial à casa de uma jornalista e à sede da emissora ABC. Veículos acusam governo de criminalizar o jornalismo

Jornais australianos censuram capa em protesto contra o governo
Governo vem tomando ações para reduzir a transparência (Foto: MEAA/Twitter)

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Todos os jornais da Austrália censuraram a sua primeira página nesta segunda-feira, 21. A ação foi organizada em protesto às recentes ações do governo australiano contra a imprensa e para uma possível redução na transparência.

Para os críticos, as ações do governo federal chegam, em alguns momentos, a criminalizar o jornalismo. A campanha, organizada pela coalizão Right to Know, que conta com as principais organizações de mídia, vem no rol de uma invasão da Polícia Federal da Austrália à casa da jornalista Annika Smethurst, da News Corp Australia Network.

A legalidade da ação está sendo contestada na Justiça. Isso porque a operação policial ocorreu depois que Smethurst relatou que o governo estava analisando novas ações para espionar os australianos, segundo informou o jornal Herald Sun, que pertence à News Corp.

Outros casos como a invasão na sede da emissora ABC, em Sidney, e à pena de prisão para uma testemunha, identificada apenas como “K”, e para o advogado Bernard Collaery – que revelaram que agentes do Serviço Secreto Australiano de Inteligência invadiram o escritório de funcionários do Timor Leste, em 2004, durante uma negociação milionária de recursos – também impulsionam as críticas dos jornais.

Segundo a Australian Business Review, as primeiras páginas ocultadas são um “apelo conjunto por maior liberdade de mídia após um ataque contínuo aos direitos dos jornalistas de responsabilizar os governos a prestar contas e denunciar a verdade ao público australiano”.

As principais críticas dos jornais têm em vista que o Parlamento da Austrália aprovou, nos últimos 20 anos, mais de 60 leis relacionadas a sigilo e espionagem. “A verdade é que os que estão no poder não querem que o público saiba o que estão fazendo e estão diminuindo a transparência e a responsabilidade para servir seus próprios interesses”, apontou a senadora Sarah Hanson-Young, do Partido Verde.

Os australianos parecem concordar com o posicionamento da senadora. Em uma pesquisa realizada pela Right to Know, 87% defenderam uma democracia livre e transparente no país, e apenas 37% apontaram que esse modelo é aplicado atualmente na Austrália.

A maior parte dos entrevistados afirmou que o governo é menos transparente em questões-chave do que era há dez anos. As “questões-chave” abordam temas como financiamento de campanhas políticas, mudanças climáticas e imigração.

Enquanto isso, 88% afirmaram que quem denuncia irregularidades governamentais deve ser protegido. Outros 80% defenderam a liberdade dos denunciantes, mesmo que tenham violado a lei para apresentar os fatos. Já 76% afirmaram que os jornalistas devem ser protegidos contra processos e prisões quando noticiam assuntos de interesse público.

Fontes:
CNN-Australian newspapers black out front pages as media unites to defend press freedom
The Guardian-Australian newspapers black out front pages to fight back against secrecy laws

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