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CUBA

Jornalista cubano recebe um ano de prisão por ‘resistência e desobediência’

Jornalista independente e crítico do governo cubano, Roberto Jesús Quiñones foi preso enquanto cobria um julgamento em Guantánamo

Jornalista cubano recebe um ano de prisão por ‘resistência e desobediência’
Entidades em defesa da imprensa repudiaram a prisão (Foto: Cubanet)

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O caso de um jornalista cubano condenado a um ano de prisão pelos crimes de resistência e desobediência foi alvo de repúdio por parte da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) e do Comitê para a Proteção dos Jornalistas dos Estados Unidos.

Roberto Jesús Quiñones é jornalista, advogado e editor do portal Cubanet. Ele foi detido em 22 de abril, quando cobria o julgamento de um casal de religiosos levados à Justiça por se recusarem a enviar seus dois filhos à escola, optando por educá-los em casa – o que é proibido pela legislação cubana.

Em seu relato no portal Cubanet, ele conta que estava na porta do Tribunal Municipal Popular de Guantánamo, conversando com Ruth Rigal Expósito, uma das filhas do casal de religiosos, quando foi tocado no ombro por um conhecido agente de segurança do Estado chamado Víctor Víctor. Após tocá-lo no ombro, o agente continuou caminhando e Quiñones continuou conversando com a menina. Foi então que ele percebeu que Víctor Víctor conversava com outro grupo de policiais. Entre eles, estava outro agente conhecido de Quiñones, chamado Michael Jordan.

Os dois agentes já haviam assediado o jornalista antes. Em fevereiro, Quiñones foi detido por Víctor Víctor e por um capitão chamado Liobis, da Polícia Nacional Revolucionária (P.N.R.), quando seguia para Havana para participar de uma feira de livros. Já Michael Jordan foi o policial que retirou Quiñones arbitrariamente de um ônibus, quando ele seguia para a província de Cienfuegos, para visitar a mãe.

Ao observar a conversa, Quiñones disse ter pressentido que, mais uma vez, seria detido. Nesse momento, ele recebeu uma ligação de outro jornalista, Tomás Cardoso, da Radio Martí, e o alertou sobre o que estava acontecendo. Pouco depois, os policiais se aproximaram, pediram seus documentos e anunciaram sua prisão. Quiñones questionou o motivo da prisão e destacou que não estava infringindo nenhuma lei. Diante da contestação, ele foi espancado e arrastado pelos agentes até a viatura. Ele foi levado para um centro de detenção, onde permaneceu por cinco dias.

Uma investigação da polícia foi aberta para apurar a conduta dos agentes e a prisão arbitrária. Porém, em maio, o Ministério Público Militar descartou tomar medidas concretas contra os agressores. Em seguida, Quiñones recebeu uma proposta para pagar uma multa para encerrar o caso, algo que ele se recusou a fazer.

“Respondi que não ia pagar nenhum centavo da multa, porque eu fui a vítima do ocorrido e porque aceitar  [a proposta] equivaleria a admitir responsabilidade. […] Se tiver de ir para a prisão por isso, irei. Não é uma questão de orgulho, mas de defender minha dignidade”, relatou o jornalista em seu portal.

No último dia 7, a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) repudiou a hostilidade das autoridades cubanas frente a jornalistas independentes. “Exortamos o governo de Díaz-Canel a retirar as injustas acusações contra Roberto Jesús Quiñones”, disse a organização, em sua conta no Twitter na versão em espanhol, acompanhada de uma hashtag que diz: “Informar não é crime”.

A presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), a colombiana María Elvira Domínguez, que chefia a sucursal de Cali do jornal El País, afirmou que o governo cubano deve suspender de imediato as acusações contra o jornalista, para que Cuba “não siga violando os direitos humanos”. Ela também destacou a perseguição contra jornalistas independentes, críticos ao governo.

“Nada nos surpreende vindo do governo cubano, tão acostumado a perseguir jornalistas independentes em seu afã de censurar críticas, opiniões e informações livres”, disse Domínguez.

Já o vice-diretor executivo do Comitê para a Proteção dos Jornalistas dos EUA, Robert Mahoney, afirmou que “se o governo de Cuba quer transmitir uma imagem de progresso e abertura à comunidade internacional, submeter a maus tratos, prender e multar um jornalista envia a mensagem errada”.

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