Início » Internacional » Jornalista judeu compara o tratamento de palestinos ao apartheid
Polêmica

Jornalista judeu compara o tratamento de palestinos ao apartheid

Bradley Burston afirma que os colonos judeus desfrutam de privilégios e ampla liberdade negados à população local

Jornalista judeu compara o tratamento de palestinos ao apartheid
Burston critica o papel de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel (Foto: Wikimedia)

O jornalista judeu israelense Bradley Burston, que é colunista do Haaretz, comparou o tratamento dado a palestinos por Israel com o apartheid, o sistema de segregação racial que ocorreu entre 1948 e 1994 na África do Sul. Nascido nos Estados Unidos, Burston imigrou para Israel em 1976. Apesar de afirmar que não foi fácil expor essa conclusão, ele agora afirmou “não poder mais fingir”.

Em entrevista ao jornal Globo, ele falou das diferenças de tratamento. “Na Cisjordânia, Israel opera dois sistemas completamente separados e diferentes de leis: um que dá à minoria judaica privilégios e ampla liberdade; e o segundo que nega à maioria palestina o direito ao voto, as liberdades de expressão e de ir e vir e o devido processo legal. Essa política israelense cada vez mais constitui um apartheid”.

O jornalista conta que nos anos 1990, Israel tentou aumentar a democracia e a liberdade tanto para judeus quanto para árabes. No entanto, a década de violência, iniciada em 2000, paralisou o processo de paz. Burston critica o papel de Benjamin Netanyahu, que desde que se tonou primeiro-ministro em 2009, prometeu trabalhar para a paz. Mas na prática, ele favoreceu fortemente os colonos judeus da Cisjordânia e aumentou significativamente os problemas para os palestinos nos seis anos de mandato.

Burston explica que Netanyahu influenciou esse processo tanto ativamente quanto passivamente. O primeiro-ministro estabeleceu novas leis e políticas para segurança e assentamentos e evitou confrontos com colonos fora da lei. Em alguns casos, os colonos ficaram impunes mesmo após jogarem pedras em soldados israelenses que estavam tentando contê-los.

“Para mim, o assassinato [do bebê palestino de 18 meses] foi a gota d’água. Não apenas o ato em si, que foi horrível, mas também os dias seguintes, nos quais Israel se mostrou incapaz de encontrar os assassinos, e os crimes de ódio contra os palestinos continuaram”, disse.

 

Fontes:
O Globo-‘A Cisjordânia vive um apartheid crescente’, critica jornalista judeu

1 Opinião

  1. jayme endebo disse:

    Vindo de um jornalista do Haaretz não poderia ser diferente, este jornal é muito mais oposição que a própria oposição Israelense.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *