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MUDANÇA DE EMBAIXADA

Juan Guaidó ensaia aproximação com Israel

Líder da oposição e autoproclamado presidente interino da Venezuela cogita transferir a embaixada de seu país em Israel de Tel Aviv para Jerusalém

Juan Guaidó ensaia aproximação com Israel
Guaidó admite possibilidade da embaixada venezuelana ser realocada para Jerusalém (Foto: Juan Guaidó/Twitter)

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e autoproclamado presidente da República interino, Juan Guaidó, tem planos para reaproximar seu país de Israel. O governo israelense já reconheceu Guaidó como presidente em exercício da Venezuela.

O líder da oposição admitiu ainda que a embaixada venezuelana em Israel pode ser transferida de Tel Aviv para Jerusalém, mas afirmou que está ponderando sobre o assunto. Guaidó é diretamente apoiado pelos Estados Unidos, que admitiu a mudança no local da embaixada em 2017.

Venezuela e Israel romperam relações há dez anos. O motivo apontado pelos venezuelanos seria solidariedade com o povo palestino. Na época, o então presidente Hugo Chávez cortou os laços com Israel durante os ataques à Gaza, entre 2008 e 2009. Um bombardeio aéreo e naval, durante 22 dias, causou a morte de mais de 1,4 mil palestinos, deixando milhares de feridos.

Após cortar as relações com o país, Chávez fez duras denúncias a Israel. Além de afirmar que o governo israelense estava financiando a oposição venezuelana, o então presidente afirmou que havia “grupos terroristas israelenses, do Mossad, que estão atrás de mim tentando me matar”.

Caso Guaidó se firme na presidência do país sul-americano, porém, Venezuela e Israel podem voltar a se aproximar. O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, por outro lado, pode desencadear uma nova crise internacional.

“Estou muito feliz em informar que o processo de estabilização das relações com Israel está no auge. […] Primeiro vamos restabelecer as relações, então anunciaremos a nomeação de um embaixador para Israel, e esperamos muito que um enviado venha de Israel para cá”, afirmou Guaidó ao jornal israelense Hayom.

A Venezuela encara um complicado momento econômico, político e humanitário, e a mudança da embaixada do país para Jerusalém pode dificultar a relação com os países árabes, que já se posicionaram contrários às mudanças das embaixadas.

A situação de Jerusalém é a maior dificuldade para um acordo de paz entre Israel e palestinos. Os palestinos defendem que Jerusalém Oriental seja reconhecida como capital de um futuro Estado palestino. Enquanto isso, Israel considera que toda Jerusalém é sua capital, inclusive a parte oriental, que foi anexada em 1967, ignorando o direito internacional.

Crise política

Apesar de diferentes países já terem reconhecido Guaidó como presidente interino da Venezuela, o chefe de Estado eleito, Nicolás Maduro, mantém o apoio de países como Rússia, China e Turquia, além de ter o controle de empresas estatais e das Forças Armadas.

De acordo com Guaidó, a oposição venezuelana vai permanecer liderando as manifestações nas ruas até que novas eleições presidenciais aconteçam. Ademais, o autoproclamado presidente interino exigiu que Maduro desbloqueie a ajuda humanitária, enviada pelos Estados Unidos, que está parada na fronteira com a Colômbia, sendo bloqueada pelas Forças Armadas.

O governo de Maduro, por sua vez, afirma que a ajuda humanitária não é necessária, apontando que os Estados Unidos estão interessados no petróleo venezuelano. Segundo o governo venezuelano, a intenção dos EUA é replicar as intervenções no Iraque e na Líbia.

Ao fim de uma manifestação realizada na última terça-feira, 12, em Caracas, Guaidó garantiu que a ajuda humanitária vai começar a entrar no país a partir do próximo dia 23 de fevereiro. Ademais, reafirmou que Maduro deixará o governo venezuelano.

“Em 11 dias, as Forças Armadas da Venezuela terão que decidir se vão estar do lado dos venezuelanos, da Constituição, ou do usurpador [Maduro]”, escreveu nas redes sociais na última terça-feira. Além disso, o líder da oposição afirmou que uma nova base de armazenamento de ajuda internacional vai ficar em Roraima, no Brasil.

Também na última terça-feira, a Rússia voltou a manifestar o seu apoio ao governo de Maduro, posicionando-se favorável à resolução da crise que assola a Venezuela. No entanto, voltou a alertar os Estados Unidos sobre uma possível intervenção nos assuntos internos do país.

 

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Leia também: Maduro descarta nova eleição na Venezuela

Fontes:
Al Jazeera-Venezuela's Guaido says he's working to restore ties with Israel

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