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Crença religiosa

Judeus ultraortodoxos e seus preceitos na hora de viajar de avião

Judeus haredi podem afirmam que não sentar ao lado de mulheres é uma imposição severa de sua religião, não uma escolha

Judeus ultraortodoxos e seus preceitos na hora de viajar de avião
O problema parece acontecer quando os haredim reservam seus assentos sem antecedência e, portanto, não podem escolher aonde e ao lado de quem sentarão (Reprodução/AP)

O The Guardian publicou uma matéria interessante em 1º de outubro sobre o que foi descrito como “bullying” contra passageiras da El Al, a companhia aérea nacional israelense. A notícia afirma que os haredim – judeus ultraortodoxos – estão perturbando os voos ao se recusarem a se sentar ao lado de mulheres, conforme regula a sua religião.

O problema parece acontecer quando os haredim reservam seus assentos sem antecedência e, portanto, não podem escolher aonde e ao lado de quem sentarão. Caso seus assentos se encontrem ao lado de mulheres, o Guardian afirma que às vezes eles as pressionam a mudar de lugar (algumas vezes chegando a oferecer dinheiro como incentivo), mesmo se ela estiver sentada ao lado de sua própria família. Quando não há espaço livre, ou a mulher se recusa a ceder, os haredim às vezes se recusam a sentar em seus assentos, atrasando o voo, como aconteceu recentemente em um voo de Tel Aviv com destino a Nova York.

Judeus haredi podem afirmar que não sentar ao lado de mulheres é uma imposição severa de sua religião, não uma escolha. Aqueles que professam crenças religiosas radicais devem ter a liberdade de viver suas vidas de acordo com suas escolhas. Mas há um porém: a religião não pode sobrepujar outros aspectos. A fé deve ser acomodada nos casos em que se pode fazê-lo com facilidade, mas nos casos em que se torna uma inconveniência para o próximo ela não deve se tornar um direito automático à prioridade.

Então quando os judeus haredi não conseguem reservar suas passagens com antecedência o bastante para garantir que se sentem juntos, parece justo que requeiram com educação que os passageiros mudem seus lugares. Mas eles também não devem esperar serem atendidos como se isso fosse um direito – assim como ocorre a famílias que não conseguem se sentar juntas em um voo. Uma das alternativas sugeridas – que os voos da El Al sejam formalmente segregados por religião ou por gênero – não é de forma alguma uma solução. Pelo menos para aqueles que mantêm esperanças em relação à humanidade.

 

Fontes:
The Economist-To sit or separate?

1 Opinião

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    E por que os ortodoxos não aceitam sentar-se ao lado de mulheres (e evitam tocá-las)? Respondo: segundo o que sei, é porque eles não tem como saber se a mulher está ou não menstruada, e ‘impura’, segundo o preceito ortodoxo, e portanto eles evitam o mero contato físico com uma mulher nos dias das regras.
    Não vou discutir a importância ou validade desse ou daquele preceito religioso para a espiritualidade humana, seja relativo a restrições alimentares, sexuais, vestuário, etc. Mas acredito que dois ‘preceitos’, se observados à risca, seriam suficientes para santificar qualquer ser humano: ‘amar a Deus sobre todas as coisas’, e ‘amar ao próximo como a si mesmo’ ! (e não é preciso dizer Quem assim ensinou, né?)

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