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Terrorismo

Julgamento de extremistas na Bélgica está perto do fim

Entre os acusados está Brian de Muler, filho de uma imigrante brasileira, que há dois anos se juntou ao Estado Islâmico na Síria

Julgamento de extremistas na Bélgica está perto do fim
Brian de Muler (ao centro) deixou a Bélgica e partiu para a Síria por Istambul há dois anos (Reprodução/Internet)

A Bélgica iniciou em setembro do ano passado o seu maior julgamento de extremistas na história. Promotores belgas acusam 46 integrantes do grupo islâmico Sharia4Belgium de pertencerem a uma organização terrorista e recrutarem jovens do país para lutar na Síria. O veredito será lido na próxima quarta-feira, dia 11 de fevereiro. Entre os acusados está Brian de Muler, filho de uma imigrante brasileira.

Apesar do grande número de réus no processo, a maioria está sendo julgada à revelia porque já haviam deixado a Bélgica para se juntar ao Estado Islâmico. Este é o caso de Brian que hoje já não responde pelo nome belga. Ele é chamado dentro do grupo radical de Abu Qassem Brazili.

Brian deixou a Bélgica e partiu para a Síria por Istambul há dois anos. Antes de ser recrutado para o grupo islâmico Sharia4Belgium, o jovem tinha uma vida normal, era um bom aluno, gostava de jogar futebol e, segundo parentes, tinha um “coração de ouro”.

Em entrevista à revista Time, Ingrid de Muler, tia de Brian, acusa Belkacem, um islâmico de origem marroquina, de ter doutrinado o seu sobrinho e o transformado em um “robô programado”. Aos poucos, segundo Ingrid, Brian começou se vestir com roupas longas, a se distanciar de todos os amigos que não eram mulçumanos e a criticar as roupas de sua mãe e irmãs.

Temendo que o filho fosse para a guerra ao lado do Estado Islâmico, a mãe de Brian, Rosana Rodrigues, chegou a mandar Brian e a irmã mais nova para Limburg, no nordeste da Bélgica. Mas mesmo com a mudança, meses depois o jovem fugiu pela Turquia para se juntar ao grupo radical na Síria. Procurando por Brian, parentes o identificaram em um vídeo postado pelo Estado Islâmico no YouTube. O jovem estaria rezando ao lado de outros jovens e de seus fuzis, em uma mesquita na Síria.

No início do julgamento dos membros do grupo Sharia4Belgium em setembro, Rosana se dirigiu aos berros no tribunal a Belkacem, acusando-o de ter arruinado a vida de sua família. Muito nervosa, ela teve que ser retirada do local.

Estima-se que 3 mil ocidentais estejam entre os combatentes na Síria. A Bélgica é o país ocidental com o maior número de jovens que se juntam ao Estado Islâmico. O processo de recrutamento é acelerado com o uso da internet e os recrutados são, em sua maioria,  jovens de até 30 anos que se sentem marginalizados, que sofrem discriminação ou dificuldades de integração na sociedade.

Fontes:
Time-The Belgian Teen Who Went to Fight in Syria: The Brian De Mulder Story
Exame-Bélgica inicia o seu maior julgamento de extremistas
Folha-Brasileira culpa amigos por filho ter aderido a grupo extremista

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