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ARGENTINA

Justiça argentina ordena prisão preventiva de Cristina Kirchner

Prisão é referente à acusação de obstruir a investigação de um atentado contra uma associação judaica ocorrido na década de 1990

Justiça argentina ordena prisão preventiva de Cristina Kirchner
Além de obstrução de Justiça, Kirchner é investigada por corrupção e lavagem de dinheiro (Foto: Flickr)

A Justiça argentina ordenou a prisão preventiva e o levantamento da imunidade parlamentar da ex-presidente e hoje senadora Cristina Kirchner na última quarta-feira, 7. Ela foi acusada, em 2015, por atrapalhar as investigações sobre o atentado contra a sede da organização judaica Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, em 1994.

Além de Kirchner, o ex-ministro do Exterior Hector Timermann e outros funcionários do alto escalão argentino também tiveram o pedido de detenção decretado. A ordem de prisão preventiva foi expedida pelo juiz Claudio Bonadio, alegando que a ex-presidente pode “dificultar a investigação”. Kirchner, há poucos dias, tomou posse como senadora pelo partido Unidad Ciudadana.

As acusações formais contra Kirchner começaram no início de 2015, quando o então procurador Natalio Alberto Nisman denunciou a ex-presidente pelo envolvimento no caso de 1994. Dias depois, Nisman foi encontrado morto em seu apartamento. Nos meses seguintes, a denúncia foi rejeitada e arquivada, mas reaberta no fim de 2016, depois que uma gravação onde o ex-ministro Timermann admite a um funcionário da Amia que o governo argentino sabia da suposta responsabilidade do Irã no ataque.

O possível envolvimento de Kirchner nas investigações do ataque à Amia nos anos 1990 representa a mais grave denuncia contra a ex-presidente, que enfrenta acusações por corrupção e lavagem de dinheiro. No último dia 26 de outubro, Kirchner negou as acusações diante de um juiz e afirmou ser vítima de uma perseguição política para “amedrontar os dirigentes da oposição para fazê-la se calar no Parlamento”.

Caso Amia

O atentado terrorista contra a sede da Amia, que ocorreu em 1994, deixou 85 mortos e 300 feridos no centro judaico. Mesmo mais de 20 anos após o ocorrido, os eventos continuam sem conclusões.

Em 2015, o promotor Natalio Aberto Nisman denunciou a ex-presidente Cristina Kirchner por supostamente ter atrapalhado as investigações sobre o caso. Dias depois, Nisman foi encontrado morto em seu apartamento com um tiro na cabeça.

O prosseguimento foi dado pelo promotor Geraldo Pollicita, mas o juiz federal Daniel Rafecas rejeitou as acusações pouco tempo depois. Em seguida, a Câmara Federal de Recursos da Argentina confirmou que a ex-presidente ficou livre das denuncias no fim de fevereiro de 2015.

O ataque terrorista a sede da Amia foi o segundo atentado contra judeus na Argentina em dois anos.  Antes dele, em 1992, uma bomba explodiu em frente à embaixada de Israel em Buenos Aires, deixando 29 mortos. O caso também segue sem conclusões.

Fontes:
DW - Justiça argentina determina prisão preventiva de Cristina Kirchner

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1 Opinião

  1. Natanael Ferraz disse:

    Dúvida que seja presa. Nós, latinos, relutamos muito em colocar criminosos de estimação na cadeia.

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