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COREIA DO NORTE

Kim quer convidar o papa para uma visita a Pyongyang

Mensagem será transmitida ao pontífice pelo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, que visitará o Vaticano no próximo dia 17

Kim quer convidar o papa para uma visita a Pyongyang
Kim diz que receberá o papa calorosamente, caso ele visite Pyongyang (Foto: Flickr/Presidencia de la República Mexicana)

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, convidou o Papa Francisco para uma visita à capital norte-coreana, Pyongyang. O anúncio foi dado nesta terça-feira, 9, por Kim Eui-kyeom, porta-voz oficial da Casa Azul, a sede do governo da Coreia do Sul.

Kim Eui-kyeom anunciou que o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, fará uma viagem à Europa na próxima semana, o que inclui uma parada no Vaticano. Ele transmitirá ao papa o convite de Kim Jong-un.

“O presidente Moon visitará o Vaticano no dia 17 de outubro para reafirmar sua bênção e apoio em prol da paz e da estabilidade na Península Coreana. Em especial, quando ele se encontrar com o Papa Francisco, transmitirá a mensagem do presidente Kim de que ele o receberá calorosamente, caso ele visite Pyongyang”, disse o porta-voz.

Segundo informações da Reuters, Kim expressou a Moon seu desejo de se encontrar com o papa durante o último encontro entre os líderes, ocorrido em setembro. O papa tem uma viagem marcada para o Japão no próximo ano.

Em comunicado, o Vaticano confirmou que o papa receberá Moon no próximo dia 17. O comunicado também informou que, um dia antes do encontro, o Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, fará, na Basílica de São Pedro, uma “Missa pela Paz” na Península Coreana.

O Papa Francisco já expressou apoio à paz na Península Coreana em diferentes ocasiões. Em abril, pouco após um encontro entre Kim e Moon, o pontífice declarou que acompanhava com orações “o resultado positivo da reunião de cúpula intercoreana”. Em junho, após a histórica reunião entre Kim e o presidente americano, Donald Trump, o papa também disse rezar pelo sucesso do encontro.

O convite atual para uma visita do papa é o segundo já feito por um líder norte-coreano. O primeiro convite foi feito no ano 2000, ao Papa João Paulo II, por Kim Jong-il, pai de Kim. O convite foi feito em um encontro entre Kim Jong-il e o então presidente sul-coreano, Kim Dae-jung. Dias antes do encontro, o papa havia dito que seria um “milagre” se pudesse visitar a Coreia do Norte. A visita, no entanto, nunca chegou a se concretizar. Isso porque João Paulo II insistiu que a visita somente ocorreria se padres católicos fossem aceitos no país.

Embora seja um país rigidamente controlador, a Coreia do Norte não proíbe atividades religiosas, desde que ocorram apenas dentro dos locais oficiais. No entanto, há relatos de que a liberdade religiosa no país é uma farsa.

Isso porque a constituição do país prevê o direito ao exercício da fé, e as igrejas controladas pelo Estado de fato existem. No entanto, ativistas de direitos humanos afirmam que a presença das mesmas é apenas de fachada e, fora dessas estruturas oficiais, o exercício da fé é passível de rígidas punições. “Na realidade, não há liberdade religiosa na Coreia do Norte”, disse, em entrevista à BBC, Arnold Fang, pesquisador da Anistia Internacional.

A visão de Fang é compartilhada pela Christian Solidarity Worldwide (CSW) – uma organização britânica de direitos humanos, que trabalha pela liberdade religiosa e pelo fim da perseguição religiosa.

“Ser um cristão na Coreia do Norte é extremamente perigoso, e muitos cristãos que são descobertos acabam em campos de detenção ou, em alguns casos, executados. O regime demanda absoluta lealdade e devoção e enxerga a religião como algo que pode minar isso”, disse Benedict Rogers, da CSW, em entrevista concedida à Reuters em agosto de 2014.

Em 2016, a CSW divulgou um relatório intitulado “Total Negação: Violações da Liberdade de Religião ou Crença na Coreia do Norte”. No documento, a organização expõe evidências de perseguição aos cristãos e a outras religiões como budismo e xamanismo.

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