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TRAGÉDIA SEM RESPOSTA

Las Vegas e uma pergunta: por quê?

Polícia e cidadãos tentam entender o que levou Stephen Paddock, um abastado aposentado sem ligações terroristas, a cometer o maior ataque a tiros da história dos EUA

Las Vegas e uma pergunta: por quê?
Paddock tinha apenas uma infração criminal, referente a uma multa de trânsito (Foto: Twitter)

À medida que a cidade de Las Vegas tenta se recuperar da dor gerada pelo ataque a tiros que deixou pelo menos 59 mortos e mais de 520 feridos na última segunda-feira, 2, uma pergunta segue na cabeça de todos os cidadãos: por quê?

Desvendar o que motivou o autor do ataque, Stephen Paddock, um contador aposentado de 64 anos, a subir para o 32º andar do hotel e cassino Mandalay Bay, abrir fogo contra a plateia de um festival de música country a céu aberto e se matar em seguida tem sido uma tarefa difícil.

Embora o Estado Islâmico tenha assumido a autoria do ataque, como costuma fazer em ataques de grandes proporções, não há qualquer indício de que Paddock tenha ligação com o grupo ou qualquer outra célula terrorista.

Além disso, o perfil discreto de Paddock e apenas uma infração criminal (referente a uma multa de trânsito) deixam poucas pistas sobre sua motivação. Considerado um aposentado abastado, Paddock morava em um condomínio de aposentados na cidade de Mesquite, em Nevada, a 130 km de Las Vegas. O condomínio tem 1.400 casas e somente são permitidos moradores acima dos 55 anos. Além da casa no local, Paddock também tinha outra casa em um condomínio similar em Nevada e dois aviões de pequeno porte, de acordo com jornais da Flórida.

Vizinhos e familiares jamais perceberam algo em Paddock que indicasse que um dia ele seria o autor do mais letal ataque a tiros da história recente dos EUA, ou que possuísse o arsenal de mais de 40 armas encontrado pela polícia em sua residência e em seu quarto no Mandalay Bay. Ao contrário, Paddock passava a impressão de curtir a aposentadoria de forma pacata e divertida, apostando em cassinos e jogando golfe.

Em uma entrevista dada jornalistas na porta de sua casa em Orlando, na Flórida, Eric Paddock, irmão de Stephen, disse que a família está estupefata. “Ele era um cara rico, que jogava videopoker, viajava em cruzeiros em várias ocasiões e morou em um quarto de hotel”, disse Eric, que falou com o irmão pela última vez há algumas semanas, via mensagens de celular, sobre a falta de energia gerada pela passagem do furacão Irma. Já Sharon Judy, uma ex-vizinha de Paddock, disse que ele era um homem amigável e um apostador profissional.

Uma das principais suspeitas aponta para o perfil psicológico de Paddock. Seu pai, Benjamin Hoskins Paddock, foi um famoso ladrão de bancos na década de 1960 e 1970, no estado do Arizona. Preso em 1968 na cidade de Anthony, Texas, ele escapou da prisão um ano depois, entrando para a lista dos mais procurados pelo FBI. Na época, um boletim do órgão retratava Benjamin como “diagnosticado como um psicopata, responsável por transportar armas de fogo em roubos a banco”. Ainda segundo o boletim, o criminoso “teria tendências suicidas, e pode ser considerado muito perigoso quando armado”. Após a fuga, Benjamin se tornou um operador de bingo em um cassino em Springfield, no Oregon, até ser preso novamente, em 1978, morrendo 20 anos depois.

Boletim do FBI alertando sobre Benjamin Hoskins Paddock (Foto: Arquivo FBI)

A possibilidade de o ataque ser fruto de psicopatia encaixa na declaração do presidente americano Donald Trump diante do episódio. Trump disse que o ataque foi “um ato de pura maldade” e descreveu Paddock como “um homem doentio e demente”. O presidente fará uma visita a Las Vegas na próxima quarta-feira, 4.

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