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COM BAIXA ADESÃO

Líbano tem a primeira eleição parlamentar em nove anos

No entanto, o pleito teve baixa adesão e menos de 50% do eleitorado compareceu às urnas

Líbano tem a primeira eleição parlamentar em nove anos
Na última eleição, ocorrida em 2009, 54% da população compareceu às urnas (Foto: Jamil Beyhum/Flickr)

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O Líbano realizou no último domingo, 6, a sua primeira eleição parlamentar em nove anos. No entanto, o pleito eleitoral teve baixa adesão. Apenas 49,2% dos eleitores registrados compareceram às urnas, segundo informou o ministro do Interior, Nouhad Machnouk. Ao todo, o Líbano conta com 3,5 milhões de eleitores.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, usou as redes sociais para lamentar a baixa adesão da população ao processo eleitoral. Antes do pleito, Aoun usou o Twitter para solicitar que as pessoas fossem às urnas. “Fiquei surpreso com a baixa participação e o exercício do direito de voto”, lamentou o presidente.

Segundo a nova lei eleitoral, aprovada em 2017, os libaneses escolheram 128 deputados, que devem ser anunciados ainda nesta segunda-feira, 7. Nessas eleições foi usado, pela primeira vez, o sistema proporcional, no qual a número de assentos ocupados no Parlamento por cada partido é determinado pela proporção de votos obtidos pelo grupo político.

As últimas eleições no Líbano foram em 2009 e registraram um índice de 54% de comparecimento. O mandato dos representantes eleitos em 2009 terminaria em 2013. No entanto, os parlamentares tiveram o mandato estendido em 2013, 2014 e 2017, devido à guerra da Síria.

Ao todo, sete grandes grupos políticos participaram das eleições e disputaram o voto dos eleitores: o Hezbollah, a Corrente do Futuro (Movimento do Futuro), a Corrente Patriótica Livre, o Movimento Amal, o Partido Socialista Progressista (PSP), as Forças Libanesas (FL), o Partido Kateab e o Movimento Marada.

No entanto, a principal disputa está entre as coligações do Hezbollah, que conta com forte poder político no Líbano – mesmo atuando, principalmente, nos bastidores -, e da Corrente do Futuro, liderada pelo primeiro-ministro Saad Hariri, que chegou a anunciar a sua renúncia ao cargo em novembro de 2017, mas voltou atrás.

No Líbano, além da influência política nacional, as eleições são focadas também na religião. Enquanto o Hezbollah, por exemplo, representa a população xiita e apoia o presidente sírio Bashar al-Assad, a Corrente do Futuro é a representação da vontade dos sunitas. Já a Corrente Patriótica Livre, criada pelo presidente Michel Aoun, tem o apoio dos cristãos maronitas.

A intenção das eleições parlamentares é concluir um processo de estabilização política no Líbano. Recentemente, entre os anos de 2014 e 2016, o país permaneceu sem presidente e com os mesmos deputados eleitos em 2009.

O cenário político do Líbano, juntamente com a crise econômica e o refúgio de mais de 1,5 milhão de sírios que fogem da guerra para o país, fez com que o Líbano recorresse à ajuda internacional. Segundo o Banco Mundial, o crescimento do Líbano, em 2018, não deve alcançar 2,2%, cerca de um ponto percentual a menos do que as projeções para o Oriente Médio e o norte da África.

Dentro das expectativas

No entanto, cientistas políticos já haviam informado que esperavam que as eleições não tivessem grande apoio da população por não promover “nenhuma mudança fundamental”, conforme afirmou o diretor do Centro Libanês de Estudos Políticos, Sami Atallah, segundo o jornal Globo.

Se as expectativas se confirmarem, uma regra não escrita continuará sendo seguida na política do Líbano. Segundo Atallah, sempre há um representante de uma parte da população em uma posição de poder. Michel Aoun, o presidente, tem o apoio dos cristãos, enquanto o primeiro-ministro Saad Hariri conta com o apoio dos sunistas. Logo, o chefe do Parlamento possivelmente será alguém da vertente xiita, provavelmente do Hezbollah.

Fontes:
DW-Líbano tem primeira votação parlamentar em nove anos
CNN-Turnout low in Lebanon's first parliamentary election in 9 years
Agência EFE-Líbano tem eleição com participação de 49,2% da população, diz governo

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