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Liberdade de expressão! Mas… onde está escrito isso?

Por Fabíola Leoni

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Na contagem regressiva para o próximo quatro de novembro, dia das eleições presidenciais norte-americanas, as campanhas dos candidatos usam as suas últimas ferramentas para fidelizar mais eleitores, reafirmando as metas e os desafios de seus políticos. Mas, esta corrida só é permitida até certo ponto. Na última segunda-feira, John McCain divulgou que o jornal New York Times rejeitou seu artigo sobre o Iraque. O candidato republicano desejava divulgar uma réplica às palavras de seu concorrente, o democrata Barack Obama, que teve um espaço no jornal na semana anterior, onde divulgou seu “plano para o Iraque”.

O artigo de Obama detalhou a meta do candidato de retirar as tropas norte-americanas da região em 16 meses. McCain escreveu, basicamente, uma crítica à posição de seu adversário, colocando-se contra o estabelecimento de um calendário para a retirada das tropas americanas do Iraque. Ele reafirmou a opinião do major general Jeffrey Hammond, comandante das forças de coalizão em Bagdá, ao considerar o agendamento da ação “muito perigoso”.

Em resposta a McCain, o jornal lembrou a divulgação de, ao menos, sete artigos do candidato republicano, desde 1996, em seu respeitado espaço. O editor do periódico, David Shipley, aconselhou que o candidato poderia adotar o estilo de seu adversário, que “oferecia nova informação e, embora discutisse as propostas de McCain, também dava em detalhes seus planos [para o Iraque]”. Ele disse também que o texto deveria ter explicado, em termos concretos, como o senador define a vitória em território iraquiano.

Enfim, eles que são brancos que se entendam. A questão não é se um pareceu mostrar uma opinião mais objetiva e o outro priorizou abordagens diversas, ou se tudo se explica porque cada um, simplesmente, tem pressupostos diferentes. Ou mesmo se, apesar de tudo, o New York Times dizer agora que está ansioso para publicar o ponto de vista de McCain. O ponto é: um jornal pode vetar ou julgar o direito de resposta de uma das partes? Principalmente um jornal como o New York Times, fundado em 1851, com um inegável poder de divulgação e de formação de opinião na sociedade.

Em contrapartida, um dos assessores de McCain acredita que a rejeição chamou mais a atenção para o republicano do que se o artigo tivesse sido publicado.
Talvez, o tiro tenha saído pela culatra.

Bom, aqui nós lemos a outra voz da história. Mas… onde mais?

Como você, leitor, avalia a postura da imprensa norte-americana, imersa em um claro viés pró-Obama?
E, não só em épocas de eleições, o que você realmente espera da ação dos meios de comunicação de massa na abordagem de assuntos cotidianos, ou mesmo tão polêmicos?

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9 Opiniões

  1. Evandro Correia disse:

    É o fim da picada o NYT não dar o direito de resposta!

  2. Valdecir Tecchio disse:

    Eu nao concordo com a ideia de que a imprensa Americana esta de amores com o cnadidato Democrata. Imprensa busca noticias e atualmente o candidato Obama tem produzido mais noticias. Isso pode ser uma prova de que o gerenciamento de campanha dos Democratas esta bem melhor do que o dos Republicanos.

    Valdecir Tecchio
    Political Scientit

  3. adhemar disse:

    É nítido, para quem acompanha um pouco esta sucessao política americana, a preferencia de alguns setores da mídia por Obama. Porém ser democrático é permitir o direito de expressão a todos. Esta tendencia nao é saudável, mas nós brasileiros já experimentamos isto recentemente com o Collor. A mídia é muito forte e produtora de opiniões. Vai vencer o mais astuto, o eleitor pouco importa. Quem mais irá impressionar?

  4. Kleber Vieira disse:

    Como jornalista, discordo veementemente da postura do TNYT.Nunca um jornal, por mais tendencioso que seja, e temos exemplos aqui no Brasil, pode rejeitar a versão do outro lado. Trata-se de uma postura vil e retrógrada, que remete aos tempos de ditadura, uma coisa que os Estados Unidos, que se auto-intitulam um país democrático, não conheceram.

  5. NASME disse:

    Morei nos USA por 11 anos. retornei ao Brasil março deste ano. A media americana sempre foi um showbusiness, com uma clara e nitida divisao de interesses. A Fox News sempre foi pro Bush e Republicanos-exceto alguns de seus jornalista como o Colmes do show Hannety and Colmes. A CNN e claramente Antigoversnista e pro democratas. E a MSNBC que era mais do meio ultimamente (3 a 4 anos) se aderio as causas da CNN. Se tiverem acesso basta ler esses canais e uma nitida preferencia pelos devidos candidatos se revelara. E tanta distorçao de fatos, e manipulaçao de informaçao que chega a ser doentio, e irritante. E exatamente por este desgaste que a GRANDE maioria dos Americanos se quer assistem as Noticias ( Preferem um reality show) E apos a grande fraude da ultima eleiçao partindo do estato da florida (onde vivi) e onde jeb Bush era governador e irmao de Bush. Coincidentemente o bush ganhou a florida no maior esquema de fraude eleitoral nos USA. A maioria da populacao esta desiludida com o governo, e nao acreditam que suas eleiçoes estao 100% livres de corrupçao.

  6. anderson clay disse:

    Pelo o que se acompanha na imprensa é que os americanos estão desolados com os republicanos pelo o que eles tem feitos ao longo dos anos no poder,ou seja mais erros do que acertos,bom já com o candidato obama os americanos estão muito esperançoso como muito não se via ao longo dos anos,seje com os eleitores ou a midia ele obama esta oferecendo esperança aos americanos já ao contrario de john mccain que está seguindo a linha de bush e gerando certo desconforto entre seu proprio partido e seus eleitores acarretando com isso muito mais flash a obama;sobre o NY Times está errado ao não oferecer direito de resposta pois como a midia americana se julga,que eles tem a tal liberdade, cade essa liberdade e principalmente a liberdade de imprensa e o direito de resposta ao candidato.

  7. Markut disse:

    Triste constatação a nossa, de que, mesmo no país de suposto berço da liberdade de opinião,o ferrolho se fecha, quando os interesses são postos à prova.

  8. antonio disse:

    A função de un jornal como esse é mostrar a realidade, para que as pessoas formem suas idéias e não fazerem isso pra ela, publicando o qu e querem para fazer a cabeça de confiáveis leitores que tem. A não publicação sóa complicou o nome do jornal. SE tinham intenção de defender algum lado,não foi dessa vez.

  9. Camila Caliocane disse:

    A dita ´´liberdade de expressão´´ tão pregada como parte do sonho americano está cada vez mais defasada e caindo por terra. Cada dia que passa, o mundo tem mais certeza de que livre nos EUA são só as ações governamentais que moldam mentes patriotas, enfurecidas, fechadas para o resto do mundo, e como não poderia deixar de ser “”A primeira potência do Planeta””.
    Os meios de comunicação deveriam se ater aos fatos, permitindo aos leitores, ouvintes, e telespectadores a opção de formularem eles próprios suas opiniões, e decidir o que é melhor para o seu país.

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