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Licença Remunerada

Licença-paternidade tem influência positiva no desenvolvimento das crianças

Um estudo norueguês revelou que a licença-paternidade melhora o desempenho das crianças no ensino médio

Licença-paternidade tem influência positiva no desenvolvimento das crianças
Os beneficiários da licença-paternidade são as crianças (Reprodução/Pixabay)

A maioria dos pais que não tem direito à licença-paternidade olha com inveja os pais de outros países, que passam meses em casa com o filho recém-nascido. Outros suspiram aliviados, apesar da culpa, quando saem todas as manhãs para seus escritórios tranquilos. Porém pouco importa os pais: os beneficiários da licença-paternidade são as crianças. Mas por quê?

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Uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma organização internacional de países desenvolvidos, examinou estudos longos de crianças nascidas em torno da virada do século nos Estados Unidos, Austrália, Grã-Bretanha e Dinamarca. Embora os quatro países tenham padrões de vida semelhantes, as opiniões divergem quanto à importância da presença de ambos os pais nos primeiros meses de vida de uma criança. Na Dinamarca, 99% dos pais têm direito a pelo menos uma semana de licença quando a criança nasce, e 90% têm uma licença-paternidade de mais de duas semanas. Nos Estados Unidos, onde os pais não têm direito à licença-paternidade, um quarto ficou menos de uma semana em casa e dois terços recomeçaram a trabalhar antes que o bebê tivesse 15 dias.

A pesquisa fez um levantamento dos pais que participavam das responsabilidades básicas da criação de filhos, desde ler histórias a escovar os dentes. Nenhum país teve nota dez: na maioria das tarefas, menos da metade dos pais participava das atividades cotidianas. Porém após a análise de renda e educação, os pesquisadores descobriram que os pais que tinham passado algum tempo em casa após o nascimento do filho, ajudavam mais nas tarefas diárias. Cinco dos dez pais que tiveram direito à licença-paternidade disseram que tinham trocado fraldas todos os dias, em comparação com quatro dos dez que continuaram a trabalhar; tinham também o hábito de dar comida, vestir, dar banho e brincar com o filho.

Além disso, a pesquisa mostrou que esses hábitos, criados no primeiro ano de vida da criança, continuavam mais tarde. Quando as crianças tinham 2 anos, os pais que haviam se afastado do trabalho por algum tempo ainda faziam essas tarefas diárias, com uma frequência maior do que os que continuaram a trabalhar. E à medida que as crianças cresciam os pais trocavam essa rotina por uma interação educacional. Quase um terço dos pais na Grã-Bretanha que não trabalharam logo após o nascimento dos filhos tinham o hábito de ler livros com eles, em comparação com os que haviam mantido a rotina de trabalho; nos Estados Unidos a diferença era de quase metade.

A licença-paternidade ainda é uma prática nova demais na maioria dos lugares para que seus efeitos em longo prazo possam ser avaliados. No entanto, um estudo norueguês revelou que melhora o desempenho das crianças no ensino médio; e as filhas beneficiam-se ainda mais da presença dos pais logo após o nascimento.

Fontes:
The Economist-The dad dividend

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