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POLÍTICA ASSISTENCIALISTA

Lições do populismo

O populismo visa conquistar a simpatia e a aprovação popular, sem uma visão de longo prazo ou real benefício da sociedade como um todo

Lições do populismo
Os populistas expressam o descontentamento dos eleitores comuns (Foto: Flickr)

A União Europeia (UE) pensou que havia eliminado a onda do populismo. O crescimento econômico é o mais forte em uma década. Emmanuel Macron derrotou o partido de extrema-direita Frente Nacional e está revolucionando a França. Apesar do nível de confiança de apenas 41% dos cidadãos na UE, essa proporção representa mais do que a confiança depositada em seus governos.

No entanto, o populismo não foi derrotado. Os populistas dominam a cena política na Polônia, Hungria, Áustria e na República Tcheca. Na Itália, o Movimento Cinco Estrelas ganha força e ameaça os partidos de centro-direita nas eleições presidenciais em março. Nos próximos anos, a polarização política e os problemas sociais aumentarão a influência dos partidos populistas.

Os populistas radicais defendem uma política de oposição e imaginam uma sociedade dividida de forma simplista entre o povo e a elite. Eles reivindicam um contato direto entre os líderes políticos e os cidadãos, o que deixa pouco espaço para um sistema judiciário independente e a liberdade de imprensa.

Mas embora o populismo atraia demagogos, existem também reformadores e democratas que defendem ideias populistas. Os revolucionários europeus que combateram a monarquia absoluta em 1848 tinham características populistas. Assim como os estadistas do fim do século XIX e início do século XX, que criaram as bases dos Estados de bem-estar social e os movimentos de oposição aos governos comunistas, como o partido Solidariedade fundado em 1980 na Polônia.

Os populistas expressam o descontentamento dos eleitores comuns. A história recente está repleta de exemplos de políticos que não enfrentam problemas sensíveis do ponto de vista político em público e preferem escondê-los ou usam argumentos tecnocráticos para defendê-los, com o subtexto de que não há “alternativa”.

Os populistas pautam seus discursos segundo temas que preocupam os eleitores, como as injustiças sociais causadas pela globalização, a rápida industrialização, a imigração em massa e a perda do sentimento de comunidade.

Mas os populistas têm talento para inovar e reinventar suas ideias. No período de prosperidade econômica e expansão do capitalismo no final do século XIX, os novos partidos de inspiração marxista e o People’s Party da região rural dos EUA expressaram o descontentamento com as desigualdades sociais. Hoje, os partidos de direita e de extrema-direita, como o Alternativa para a Alemanha, fundado em 2013, atendem às expectativas nacionalistas dos eleitores.

Theodore Roosevelt e Woodrow Wilson combateram os cartéis de petróleo e de ferrovias, e defenderam uma política social de assistência ao povo. Otto von Bismarck criou uma política social de amparo aos cidadãos em situações de velhice e doença na Alemanha. E, em 1909, David Lloyd George apresentou no Parlamento do Reino Unido o projeto “People’s Budget”, que visava aumentar os impostos dos ricos e criar programas de seguridade social. Todos esses estadistas incorporaram ideias populistas aos seus planos de trabalho.

Exemplos que devem ser seguidos pelos atuais políticos desde que as medidas sejam moral e intelectualmente diferentes da política assistencialista voltada para conquistar a simpatia e a aprovação popular, sem uma visão de longo prazo e o real benefício da sociedade como um todo.

Fontes:
The Economist - Learning from Europe’s populists

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