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ESTOPIM DOS PROTESTOS

Líder de Hong Kong retira projeto de extradição para a China

Projeto de lei foi estopim da onda de protestos na região. Medida, porém, não deve dissipar as manifestações, que têm outras quatro demandas

Líder de Hong Kong retira projeto de extradição para a China
Concessão de Lam ocorre a menos de um mês do aniversário de fundação da República Popular da China (Foto: Seb Daly/RISE/Flickr)

A líder de Hong Kong, Carrie Lam, atendeu parcialmente à demanda dos manifestantes e anunciou a retirada oficial do projeto de lei que permitiria a extradição para a China.

Permeado de polêmica, o projeto de lei foi responsável por desencadear, em junho, os intensos protestos que a região enfrenta há cerca de três meses.

A retirada do projeto de lei, que já havia sido suspenso em junho e dado como “morto” por Lam no mês seguinte, tem como objetivo apaziguar as manifestações na região, que estão se tornando cada vez mais violentas.

Segundo Joshua Wong, um dos principais líderes pró-democracia de Hong Kong, sete pessoas morreram e mais de 1,2 mil manifestantes foram presos ao longo dos protestos. Wong, inclusive, chegou a ser preso no final do último mês, mas foi liberado em seguida.

No entanto, a retirada do projeto de lei não deve fazer com que as manifestações cessem. Pelas redes sociais, Wong afirmou que a ação de Lam foi “muito pouco e tarde demais”.

Isso porque, ao longo das manifestações, outras quatro demandas surgiram: anistia aos manifestantes presos; não categorização dos protestos como revoltas – o que pode gerar penas duras no sistema judicial de Hong Kong -; inquérito independente para analisar as ações policiais; e eleições livres – na região, o líder é escolhido por uma comissão de 1,2 mil pessoas alinhadas a Pequim.

“A brutalidade policial intensificada nas semanas anteriores deixou uma cicatriz irreversível para toda a sociedade de Hong Kong. E, portanto, neste exato momento, quando Carrie Lam anunciou a retirada, as pessoas não acreditariam que se tratasse de um movimento ‘sincero’”, destacou Wong pelas redes sociais.

Em seguida, o líder pró-democracia alertou para a tática de Lam de demonstrar que está cedendo, antes de promover “um aperto muito maior no exercício dos direitos civis”.

De acordo com Wong, Ronny Tong – um político de Hong Kong – já havia sugerido o uso da polícia secreta para cessar as manifestações. Anteriormente, o coronel Wu Qian, porta-voz do Ministério da Defesa da China, já havia sugerido ações militares chinesas contra os manifestantes.

Em entrevista ao Guardian, Michael Tien, um parlamentar pró-Pequim que se reuniu com Lam, afirmou que a líder de Hong Kong precisava tomar alguma atitude à medida que o aniversário de fundação da República Popular da China se aproxima. No próximo dia 1º de outubro, os chineses celebram seu 70º aniversário.

“Ela tem de fazer alguma coisa, caso contrário será feio. […] Então, ela está fazendo esse gesto agora, essa concessão. A um mês [até o aniversário], ela espera que as coisas acabem. […] Eu acho que ela honestamente achou que isso poderia acertar o placar”, afirmou o parlamentar.

No entanto, o posicionamento de Wong sugere que os protestos não vão cessar, mesmo com a concessão de Lam. Para o pesquisador Adam Ni, da Universidade Macquarie, em Sidney, na Austrália, as manifestações vão prosseguir se a líder de Hong Kong não anunciar novas concessões. “Isso por si só não será suficiente para satisfazer uma população irritada e frustrada. A natureza do movimento de protesto se transformou nas últimas 13 semanas”, explicou o pesquisador.

No último dia 31 de agosto, os manifestantes já demonstraram que estavam dispostos a ir contra as ordens das autoridades de Hong Kong. Mesmo com um protesto para marcar os cinco anos da Revolução dos Guarda-Chuvas tendo sido desautorizado, os manifestantes ocuparam as ruas. O movimento culminou em um novo confronto com a polícia. Já na última segunda-feira, 2, os manifestantes pediram que os estudantes boicotem às aulas.

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Fontes:
The New York Times-Hong Kong’s Leader, Carrie Lam, to Withdraw Extradition Bill That Ignited Protests
O Globo-Após três meses de protestos, líder de Hong Kong anuncia cancelamento da lei de extradição
G1-Após meses de protestos, líder de Hong Kong retira projeto de lei de extradição para a China

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