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POLÊMICA NA DIPLOMACIA

Líder palestino pede desculpas por discurso antissemita

Em discurso, Mahmoud Abbas sugeriu que o povo judeu não foi perseguido no Holocausto por sua religião, mas por sua conduta

Líder palestino pede desculpas por discurso antissemita
Os Estados Unidos e a União Europeia condenaram os comentários de Abbas (Foto: Kremlin)

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Após um discurso considerado antissemita, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pediu desculpas por sugerir que o povo judeu não foi perseguido historicamente por conta de sua religião, mas por sua conduta. Se o processo de paz entre Israel e Palestina já tinha se complicado com a decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, a situação ficou ainda mais tensa após o discurso.

“Se as pessoas ficaram ofendidas pela minha declaração, especialmente pessoas judias, eu peço desculpas. Eu gostaria de assegurar a todo mundo que não foi a minha intenção e reiterar meu completo respeito pelos judeus, assim como as outras crenças monoteístas […] Eu também gostaria de reiterar nossa condenação ao Holocausto como o crime mais hediondo da história e expressar nossa simpatia às vítimas”, disse Abbas em declaração. “Nós condenamos o antissemitismo em todas as suas formas e confirmamos nosso compromisso de uma solução a partir de dois Estados, para viver lado a lado em paz e segurança”, dizia a declaração divulgada em inglês, hebraico e árabe.

O ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, rejeitou o pedido de desculpas do líder palestino. “Abbas é um negador do Holocausto patético que escreveu uma tese de doutorado sobre a negação do Holocausto e depois publicou um livro sobre a negação do Holocausto. Esta é a forma como ele deveria ser tratado e sua desculpa não foi aceita”. Décadas atrás, Abbas causou polêmica ao escrever sua tese na Universidade de Moscou. Ele examinou ligações entre a liderança sionista em Israel e o regime nazista na década de 1930. No trabalho, ele escreveu sobre alegações de negadores do Holocausto como Roger Garaudy no que diz respeito ao número de judeus que morreram no Holocausto. As autoridades de Israel consideraram Abbas como um negador do Holocausto, mas ele refuta a acusação.

Entenda o caso

Na última segunda-feira, 30, Abbas discursou na abertura do Conselho Nacional Palestino em Ramala, cidade palestina localizada no centro da Cisjordânia. Na fala, que durou 108 minutos, ele tocou em assuntos como as conquistas da Autoridade Nacional Palestina, a reconciliação com o Hamas, o processo de paz e o governo Trump. Na ocasião, ele disse que a perseguição aos judeus não ocorreu por conta da religião, mas por outra questão. “Judeus que se mudaram para o leste e oeste da Europa enfrentavam um massacre a cada 10 ou 15 anos de um país diferente. O ódio aos judeus não era por causa de sua religião, mas por conta de seus papéis sociais relacionados aos bancos”, disse Abbas.

Citando livros do que ele descreveu como de autores sionistas, Abbas também falou sobre uma teoria, que já foi desacreditada, de que os judeus da comunidade Asquenaze eram nativos de Khazaria, um império localizado no leste europeu, em vez da bíblica terra sagrada. Historiadores e acadêmicos já desbancaram os chamados mitos de Khazar.

Em resposta, o primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, acusou Abbas de antissemitismo. “Uma vez negador do Holocausto, para sempre negador do Holocausto. Eu peço para a comunidade internacional condenar o antissemitismo de Abu Mazen [apelido de Abbas]”, tuitou Netanyahu na última quarta-feira, 2.

Os Estados Unidos e a União Europeia condenaram os comentários de Abbas. O embaixador americano de Israel, David Friedman, disse que Abbas “atingiu um novo fundo do poço” e acrescentou “para todos aqueles que pensam que Israel é a razão para a gente não ter paz, pensem novamente”.

A União Europeia falou que os comentários de Abbas eram “inaceitáveis”. Até mesmo pessoas e grupos que já apoiaram Abbas fizeram críticas. Mehdi Hasan, colunista e professor adjunto da Universidade de Georgetown, chamou Abbas de “estúpido, ofensivo, anti-histórico e, sim, profundamente, profundamente antissemita”.

Fontes:
The Guardian- Mahmoud Abbas apologises for Holocaust speech
CNN-Palestinian leader Mahmoud Abbas accused of anti-Semitic speech
Haaretz-Abbas Apologizes to 'Jewish People' for Offensive Comments, Condemning Holocaust and anti-Semitism

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